OESP, Metrópole, p. A16
03 de Jul de 2014
Comitê rejeita plano de emergência da Sabesp e corta água do Cantareira
Abastecimento. Empresa pede 20,9 mil litros por segundo para este mês, mas órgãos reguladores do sistema limitam captação a 19,7 mil litros. Foi a primeira redução imposta pela ANA e pelo DAEE com um limite inferior a que a empresa já vinha praticando
Fabio Leite
O comitê anticrise que monitora o Sistema Cantareira rejeitou, pela segunda vez, o plano de contingência apresentado pela Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) para operar o manancial pelos próximos cinco meses. Ao mesmo tempo, os órgãos reguladores decidiram reduzir em 8,4% a vazão máxima que a empresa pode retirar das represas para abastecer, hoje, cerca de 7,3 milhões de habitantes da Grande São Paulo.
Agora, até o dia 15 deste mês, a Sabesp não poderá retirar mais do que 19,7 mil litros por segundo dos quatro principais reservatórios. Essa foi a primeira redução imposta pela Agência Nacional de Águas (ANA), do governo federal, e pelo Departamento de Água e Energia Elétrica (DAEE), do governo paulista, com um limite inferior a que a Sabesp já vinha praticando. Em junho, a empresa retirou, em média, 19,9 mil litros por segundo. Antes da crise, captavam- se 30 mil litros.
Na proposta feita ao comitê, intitulada"Plano de Contingência II", a Sabesp queria retirar 20,9 mil litros neste mês. Até o fim de novembro, a empresa pleiteava retirada média de 21,2 mil litros. Em comunicado divulgado ontem, o grupo técnico "concluiu não ser possível,com o atual volume disponível de 197,5 milhões de m³ (bilhões de litros), o atendimento das vazões pretendidas (pela Sabesp) até o horizonte de planejamento considerado de 30 de novembro de 2014".
Na prática, os técnicos alegam que, em um cenário no qual o volume de água que chega aos reservatórios do Cantareira tem correspondido a apenas 50% das mínimas históricas, a capacidade disponível hoje no manancial, mesmo com a parcela adicional do chamado "volume morto", seria insuficiente para atender à quantidade de água pedida pela Sabesp. Conforme o Estado antecipou, junho foi o mês mais seco do manancial em 84 anos, com vazão afluente 46% inferior à pior já registrada.
Cálculos. O grupo pediu para que a Sabesp faça uma"reavaliação". Em maio, técnicos do comitê pediram que a empresa usasse um cenário mais "desfavorável" nas projeções. Segundo cálculo da Sabesp, antecipado pelo Estado, com vazão afluente 50% abaixo da mínima histórica do sistema,os 182,5 bilhões de litros que estão sendo retirados do "volume morto" podem acabar no dia 27 de outubro.
Análise. A Sabesp solicitou aos órgãos reguladores a retirada de mais 100 bilhões de litros da reserva profunda (400 bilhões no total). O pedido ainda é analisado. Em nota, a Sabesp afirma que "as vazões determinadas pelos órgãos reguladores são suficientes para garantir o abastecimento da população da Grande São Paulo até meados de março de 2015".
OESP, 03/07/2014, Metrópole, p. A16
http://sao-paulo.estadao.com.br/noticias/geral,comite-nega-plano-da-sab…
As notícias aqui publicadas são pesquisadas diariamente em diferentes fontes e transcritas tal qual apresentadas em seu canal de origem. O Instituto Socioambiental não se responsabiliza pelas opiniões ou erros publicados nestes textos. Caso você encontre alguma inconsistência nas notícias, por favor, entre em contato diretamente com a fonte.