OESP, Metrópole, p. A21
28 de Mai de 2014
Comitê rejeita plano da Sabesp que não reduz vazão do Cantareira
Grupo técnico recomenda que companhia reavalie projeções para retirada de água do sistema até novembro utilizando um 'cenário mais desfavorável de afluências' ao manancial
SÃO PAULO - O comitê anticrise que monitora a estiagem do Sistema Cantareira rejeitou neste mês uma proposta feita pela Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) em abril que não previa nenhuma redução significativa no volume de água retirado do principal manancial paulista para abastecer cerca de 7,3 milhões de pessoas na Grande São Paulo até o fim de novembro.
Em comunicado do dia 16 de maio divulgado apenas nesta terça-feira, 27, o grupo técnico liderado pela Agência Nacional de Águas (ANA), do governo federal, e pelo Departamento de Água e Energia Elétrica (DAEE), do governo paulista, recomendou que a concessionária faça uma "reavaliação de suas projeções de operação do sistema" utilizando "um cenário mais desfavorável de afluências" ao Cantareira.
Neste mês, o volume de água que tem chegado ao sistema equivale a somente 20% da média histórica do mês. Conforme o Estado revelou no dia 24, o déficit de água do Cantareira subiu 71,5% em maio em relação ao mês anterior, o que deve gerar um prejuízo de 46 bilhões de litros no sistema. Na média, a Sabesp tem retirado 20,5 mil litros por segundo das represas. Antes da crise, a captação girava em torno de 30 mil litros por segundo.
"Ressalte-se, que este cenário deve ser reavaliado, no mínimo, a cada quinze dias pela Sabesp, para que a mesma possa operar com as informações sobre as vazões afluentes ao sistema, as mais próximas das verificadas a cada momento, com vistas a garantir condições mínimas operacionais ao sistema até a data de 30 de novembro de 2014, proposta como referência para o horizonte de curto prazo de planejamento da utilização do estoque de água disponível no Sistema Cantareira", informa o comunicado.
O documento é assinado por técnicos da ANA, do DAEE, das bacias Alto Tietê e dos Rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí (PCJ) e pelo diretor metropolitano da Sabesp, Paulo Massato. Nele, os técnicos recomendam a aprovação do plano da concessionária para utilizar os 182,5 bilhões de litros do "volume morto" do sistema. A reserva profunda começou a ser captada no dia 15 de maio. Nesta terça-feira, o nível do sistema está em 25,4% da capacidade, com o estoque adicional, de acordo com a Sabesp.
Segundo o comunicado, no relatório "Operação Emergencial do Sistema Cantareira", apresentado no dia 17 de abril, a Sabesp propôs retirar dos quatro principais reservatórios do manancial entre 22,4 e 22,9 mil litros por segundo do sistema entre maio e setembro. Apenas em outubro, a companhia reduziria a vazão para 20,9 mil litros por segundo e, em novembro, aumentaria para 21,4 mil litros por segundo.
Pelas projeções feitas pelo governo Geraldo Alckmin (PSDB), a nova capacidade de água do Cantareira será suficiente para garantir o abastecimento da Grande São Paulo "até o início das próximas chuvas", que tradicionalmente ocorrem a partir de outubro. Tanto Alckmin quanto o secretário estadual de Saneamento e Recursos Hídricos, Mauro Arce, afirmam que as projeções foram feitas com base no cenário mais pessimista de chuvas.
Agora, porém, o comitê anticrise afirma que é precisar considerar condições mais desfavoráveis para planejar o uso do manancial. A definição da nova vazão liberada para a companhia em junho ainda está sendo debatida entre os técnicos dos órgãos envolvidos. Em nota, a Sabesp informou que "os números referentes à vazão de água do Sistema Cantareira estão sendo reavaliados pela companhia" e que serão apresentados na próxima reunião do comitê anticrise.
Presidente da Sabesp compara crise do Cantareira a terremoto e tsunami
Em entrevista à rádio 'Estadão', Dilma Pena diz que população de São Paulo entende que escassez de água é resultado de um 'fenômeno extremo' e não de problema operacional ou falta de investimento
Fabio Leite - O Estado de S. Paulo
SÃO PAULO - A presidente da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp), Dilma Pena, comparou nesta terça-feira, 27, a estiagem histórica do Sistema Cantareira a fenômenos naturais como terremotos e tsunamis. Em entrevista à rádio Estadão, ela afirmou que a população de São Paulo tem compreendido que a crise de abastecimento na Grande São Paulo não é um problema operacional ou de investimento do governo paulista.
"Está havendo um entendimento da população de que não é um problema de operação, não é um problema de investimento. É um problema de escassez de chuva. É um evento extremo. É como se fosse um terremoto no Chile, ou uma enchente no sul da Inglaterra, que aconteceu este ano. Ou até mesmo um tsunami no sudoeste asiático, como acontece sempre", disse Dilma Pena. Os tsunamis, na realidade, ocorreram no sudeste da Ásia.
"Estamos vivenciando um fenômeno da natureza. Nós temos que entendê-lo. Nós temos que buscar atender a população, e temos que, cada vez mais, nos preparar, tanto os prestadores de serviços essenciais, água, energia, alimentos, quanto do ponto de vista da nossa concepção de vida, nosso conceito de vida. Nós temos que, individualmente, ser cada vez mais poupadores dos recursos da natureza, e a água é um deles. Então, o consumo racional é muito importante", completou.
Dilma repetiu que a seca do Cantareira é a mais severa dos últimos 84 anos, quando inciou a série histórica de medição. Conforme o Estado revelou no início do mês, um estudo contrato pelo governo Geraldo Alckmin (PSDB) afirma que estiagens críticas como a registrada entre outubro de 2013 e março deste ano no principal manancial paulista só ocorre a cada 3.378 anos
Multa. A presidente da Sabesp destacou que a companhia já reduziu em 9 mil litros por segundo a retirada de água do Cantareira com o remanejamento de água e a economia de consumo pelo população. Quanto à multa anunciada por Alckmin em abril para quem aumentar o consumo, Dilma disse que ainda não há data definida para implementá-la. "Não temos data para implantar essa tarifa de contigência. Não é nada ilegal", afirmou. A medida é questionada por órgãos de defesa do consumidor. Segundo eles, a legislação prevê que a multa só pode ser implantada em um cenário de racionamento.
OESP, 28/05/2014, Metrópole, p. A21
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