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Comissoes aprovam Lei de Biosseguranca

OESP, Geral, p.A18
16 de Set de 2004

Comissões aprovam Lei de Biossegurança
Votaçao do projeto no plenário do Senado está prevista para hoje, se pauta for desobstruída
Rosa Costa
BRASÍLIA - Após negociações que se estenderam até o início da noite, o substitutivo do senador Ney Suassuna (PMDB-PB) ao projeto da Lei de Biossegurança foi aprovado ontem em três comissões do Senado. Sua votação em plenário está prevista para hoje, mas ainda depende da desobstrução da pauta com o exame da Lei de Informática, que tramita em regime de urgência, e de duas medidas provisórias.
Para superar resistências tanto da oposição como de governistas, Suassuna teve de abrir mão da técnica conhecida por clonagem terapêutica. É assim chamada a clonagem para produção de células-tronco embrionárias que, segundo cientistas, representa um avanço no uso de células-tronco, tecidos que podem assumir as funções de órgãos do corpo humano.
O relator leu a carta em que o pai do músico Herbert Vianna, Hermano Paes Vianna, pede aos senadores que "não imponham restrições nas pesquisas com células-tronco", mas não conseguiu derrubar a posição dos colegas mais ligados à Igrejas Católica e aos evangélicos. O músico padece de seqüelas de lesão da medula decorrente de um acidente com ultraleve.
O substitutivo autoriza a pesquisa com fins terapêuticos dessas células obtidas de embriões humanos que estiverem congelados há mais de três anos.
Para tanto é necessário que os genitores dos embriões, seu vínculo parental, seja conhecido. De acordo com os senadores, há cerca de 20 mil embriões nos laboratórios que atendem a essas exigências, o que vai assegurar material para pesquisas pelos próximos cinco anos. "Depois disso teremos de rever a lei", antecipou Suassuna.
Soja - Há oito meses no Senado, o projeto só passou a ter atenção especial do governo nos últimos dias, sobretudo depois de o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ter afirmado que não vai editar medida provisória autorizando o cultivo da soja transgênica. O plantio da próxima safra começa no mês que vem. Esse consentimento é dado pelo artigo 35 do substitutivo, mas não soluciona o problema. O caso é que, mesmo se for votado hoje, o texto só vai virar lei depois de reexaminado pelos deputados.
E como a pauta da Câmara está obstruída por 16 medidas provisórias, isso só deve ocorrer, na melhor das hipóteses, no fim do ano. "Portanto, que o governo faça aquilo que está fazendo até com matérias sem urgência e baixe uma MP", pediu o senador Osmar Dias.
Mesmo apontando ressalvas, os senadores entendem que esse substitutivo é melhor do que o texto aprovado pelos deputados. Foi derrubada a competência de o Ibama e a Anvisa decidirem sobre a comercialização de produtos geneticamente modificados (OGMs). Esses órgãos, ligados aos Ministérios do Meio Ambiente e da Saúde, podem agora recorrer das decisões da Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio) ao Conselho Nacional de Biossegurança, formado por 11 ministros. Se o conselho não se manifestar no prazo de 45 dias, o recurso ficará prejudicado.
MP - Os ministros Aldo Rebelo (Coordenação Política) e Roberto Rodrigues (Agricultura) ainda tentam convencer o presidente Lula a recuar e editar uma medida provisória liberando o plantio de soja transgênica, segundo interlocutores do Palácio do Planalto. Rebelo e Rodrigues aguardam a aprovação, hoje, no Senado, do projeto da Biossegurança para argumentar que a edição de uma MP seria apenas a formalização de uma decisão do Legislativo.
A sessão ontem no Senado foi tão confusa, com tantos discursos divergentes, que, até a última hora, era difícil prever se o texto seria ou não votado.
Os senadores Pedro Simon (PMDB-RS) e Delcídio Amaral (PT-MS) defenderam o adiamento até o final, alegando que iriam votar uma matéria sem conhecê-la.
Os votos contrários nas três comissões, Constituição e Justiça (15 a 3), Assuntos Econômicos (18 a 4) e Assuntos Sociais (18 a 4) partiram de aliados do Planalto.

OESP, 16/09/2004, p. A18

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