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Começa o Festival Municipal de Semente de Canarana

Y Ikatu Xingu
Autor: Oswaldo Braga de Souza
12 de mai de 2008

Coleta comunitária de sementes para projetos de recuperação florestal de matas de beira de rio vai envolver 14 escolas, num total de cerca de quatro mil alunos. Além do recolhimento do material, acompanhamento da produção de mudas e plantios, atividades pedagógicas pretendem conscientizar sobre a importância das plantas do Cerrado

Na última quinta-feira, dia 8 de maio, na Câmara de Vereadores de Canarana, 800 quilômetros a nordeste de Cuiabá, foi lançado o I Festival Municipal de Sementes. Quase cem pessoas participaram da apresentação do regulamento e dos objetivos da mobilização, entre diretores de escolas, professores, alunos e representantes de organizações da sociedade civil.

Deste mês até outubro, as quatorze escolas do município, entre públicas e particulares, num total de cerca de quatro mil alunos, deverão coletar sementes de espécies nativas para abastecer o viveiro municipal, sensibilizar a comunidade sobre a temática ambiental e incentivar o aprendizado sobre o Cerrado e suas matas de beira de rio.

O viveiro está fornecendo mudas a uma série de projetos de reflorestamento da campanha Y Ikatu Xingu, de proteção e recuperação das nascentes e matas ciliares da Bacia do Xingu no Mato Grosso. As mudas também ficarão à disposição da comunidade.

Os alunos que se destacarem deverão participar de passeios no campus da Unemat (Universidade do Estado de Mato Grosso), em Nova Xavantina, e em áreas de recuperação e trilhas ecológicas, em Canarana. A escola que se sobressair também receberá um conjunto de livros sobre meio ambiente para sua biblioteca.

O Festival de Sementes de Canarana faz parte da campanha Y Ikatu Xingu e está sendo promovido pela prefeitura, por meio das secretarias municipais de Agricultura e Meio Ambiente e de Educação, em parceria com Instituto Socioambiental (ISA) e o Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam) com apoio do Fundo Nacional do Meio Ambiente (FNMA) e do Instituto HSBC de Solidariedade.

Envolvimento da comunidade

"Acho que o principal objetivo do festival não é tanto a semente, mas a mobilização que queremos manter, o envolvimento de toda a comunidade", comentou, durante o lançamento, Eliane Felten, secretária de Agricultura e Meio Ambiente de Canarana. Ela frisou a importância da articulação entre Poder Público, organizações não-governamentais, produtores rurais, comunidade e escolas para recuperar as matas de beira de rio do município.

Além de recolher as sementes, os participantes do festival também deverão beneficiá-las e armazená-las. Estudantes e professores receberão orientação sobre as espécies mais indicadas para a coleta e o período mais apropriado para ela. Contarão pontos na competição não apenas a quantidade de material recolhido, mas também a sua diversidade. Sementes mais raras, contarão mais pontos.

Canarana ganhou um viveiro em 2006 por meio de uma primeira parceria entre o Instituto Socioambiental (ISA), a prefeitura e a Sociedade Amigos do Garapu (Saga) com apoio do FNMA e do Instituto HSBC de Solidariedade. O viveiro será agora ampliado com novos recursos do Fundo. Hoje, no local são produzidas cerca de 40 mil mudas por ano. O novo projeto vai financiar a produção de mais 48 mil mudas.

Grande parte das mudas que foram produzidas em 2007 foi obtida por meio de outro festival que conseguiu recolher mais de meia tonelada de sementes. A iniciativa foi do grupo de pessoas do município que participava da formação de agentes socioambientais promovida pela campanha Y Ikatu Xingu em Canarana, entre 2005 e 2006. Mais de nove escolas participaram da mobilização, que também foi apoiada pelas secretarias municipais de Agricultura e Educação. A diferença é que agora o Festival de Sementes passa a fazer parte do calendário oficial de eventos do município.

"A semente do outro festival germinou: a prefeitura e o município assumiram a idéia. Estamos fazendo um trabalho intenso de articulação com as escolas, mas convidamos toda a comunidade a participar", diz Luciana Akeme S. M. Deluci, do ISA. Ela lembrou o papel pedagógico da competição. "Os alunos vão realizar a coleta de sementes. Depois, poderão acompanhar a criação e o plantio das mudas".

Novidade

Uma das novidades do novo festival que reforça seu caráter educativo é a concessão de bolsas R$ 150,00 para quatro monitores mirins ambientais, alunos matriculados no Ensino Médio, de 14 a 17 anos, que serão previamente selecionados para desenvolver uma série de atividades diárias de apoio ao festival. Eles deverão identificar espécies, coletar sementes, produzir e plantar mudas. Serão treinados como agentes multiplicadores de conhecimentos e práticas sobre temas como biodiversidade, poluição, desmatamento, conservação do solo e dos recursos hídricos.

"Pelos estudantes, podemos chegar aos professores e aos pais, para uma mudança de postura. Com o contato com a terra, também podemos entendê-la melhor e aprender a preservá-la", acredita Gina Cardinot, coordenadora do Ipam no Mato Grosso. Ela considera que atividades como o festival são fundamentais para reforçar um princípio básico da educação ambiental: lembrar que o meio ambiente não é um ente abstrato, mas que toda a comunidade está inserida nele.

A expectativa é que além da coleta e de plantios, as escolas realizem trabalhos pedagógicos e outras iniciativas com os alunos para aprofundar a temática ambiental em seu dia-a-dia. "Queremos fazer um projeto recuperação ambiental da avenida principal daqui da vila com a participação de estudantes e comunidade. Temos um problema sério de erosão e de degradação de uma nascente próxima", explica Mara Sasso Martins, diretora da Escola Coronel Vanick, da Vila Culuene, a cerca de 80 quilômetros da sede urbana de Canarana. Mara informa que os professores deverão realizar palestras sobre as plantas do Cerrado e sua importância para os alunos durante o festival.

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