OESP, Notas e Informações, p. A3
24 de Jan de 2009
Combate às perdas de água
O Programa de Redução de Perdas, da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp), começou a ser implantado em meados da década de 90, mas avançou significativamente nos últimos dois anos e a meta é baixar para 15% as perdas de água, até 2010. Em 2007, a empresa conseguiu reduzir o suprimento de água em 500 litros por segundo, apesar das 100 mil novas ligações na Grande São Paulo. A urbanização das favelas, o melhor controle da pressão da água na rede e um trabalho de combate às ligações clandestinas - a cada ano, 250 mil hidrômetros defeituosos são substituídos - permitiram aumentar o atendimento sem aumentar a produção.
No ano passado, a Sabesp identificou 21.165 imóveis com equipamentos de medição fraudados, na capital e em 36 municípios vizinhos, responsáveis pelo consumo irregular de 5,4 bilhões de litros em um ano, que causaram prejuízo de R$ 26,1 milhões à empresa em uma das regiões do País mais carentes em recursos hídricos: a disponibilidade de água na Grande São Paulo é de 205 metros cúbicos por habitante/ano, quando o padrão mínimo definido pela Organização Mundial de Saúde (OMS) é de 1,5 mil metro cúbico por habitante/ano.
A Sabesp produz 3,4 bilhões de litros de água por dia. Mais de 1 bilhão é desperdiçado e quase 40% são furtados através de ligações clandestinas - os chamados "gatos" - tanto em bairros carentes como em alguns dos endereços mais elegantes da capital e vizinhanças. As perdas provocadas pelos mais de 21 mil imóveis já identificados seriam suficientes para abastecer mensalmente uma cidade de 1,5 milhão de habitantes.
Para baixar esse nível de desperdícios e furtos, e alcançar a eficiência de outras cidades do mundo nesse terreno, a Sabesp assinou convênio de cooperação técnica com a Japan International Cooperation Agency (Jica) - no Japão, Nagoya e Tóquio perdem apenas 4,5% da água que produzem - e planeja investir US$ 2,46 milhões em iniciativas que vão da alta tecnologia até o aperfeiçoamento da fiscalização, passando por ações educativas.
No ano passado, a empresa investiu R$ 100 milhões na melhoria da rede e na qualidade da manutenção do sistema. Ao mesmo tempo, promove campanhas para ensinar a população a economizar água, a combater as fraudes e a cuidar melhor das redes internas de seus imóveis. Cada morador de São Paulo consome, em média, 221 litros de água por dia, duas vezes mais do que é recomendado pela Organização das Nações Unidas (ONU). Há bairros, como Higienópolis e Jardins, onde o consumo ultrapassa 500 litros per capita/dia.
Há meses a Sabesp colocou à disposição dos condomínios localizados em municípios atendidos por ela o Programa Proacqua, de cobrança individualizada da água consumida em cada unidade. A conta de água representa até 15% dos custos totais dos condomínios. A instalação dos hidrômetros individuais não é obrigatória. Depende da aprovação da assembleia condominial.
O avanço do programa da Sabesp depende, no entanto, não só da adesão dos consumidores às campanhas de economia, mas também da certeza de punição para os irregulares. Por isso, a empresa, com 50 equipes de caça aos "gatos", procura identificar as instalações clandestinas e hidrômetros fraudados, e cobra a água desviada. Restaurantes e condomínios de luxo de São Paulo têm tido que desembolsar grandes somas para quitar dívidas com a empresa.
Outras medidas podem ser adotadas para produzir resultados mais rápidos, como fez o governo do Rio de Janeiro, que instalou uma delegacia especializada em combater desvios de água e de energia e colocou equipes da Nova Cedae, empresa de saneamento estatal do governo fluminense, em conjunto com policiais para combater esse tipo de crime previsto no artigo 155 do Código Penal, com pena de até quatro anos de prisão.
Militares da reserva atuam nas operações de inteligência e os da ativa acompanham as equipes técnicas da estatal que realizaram 600 operações de combate ao furto de água em 2007. Mais de R$ 4 milhões foram recuperados.
OESP, 24/01/2009, Notas e Informações, p. A3
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