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Com a volta da chuva, temor de epidemia por causa de agua contaminada nos rios

OESP, p. A13
19 de out de 2005

Com a volta da chuva, temor de epidemia por causa de água contaminada nos rios
Com a chegada das primeiras chuvas da estação de cheia na Amazônia, o governo teme agora a possibilidade de epidemias na área atingida pela estiagem no Amazonas. Em entrevista ontem, o ministro da Integração Nacional, Ciro Gomes, informou que a Defesa Civil já estima que 167 mil pessoas em 28 municípios do Estado sofrem com a mais longa seca dos últimos 60 anos na região. "Não há epidemias hoje. O mais preocupante é o potencial de água potável desqualificada nesta fase que os rios voltam a encher", disse Ciro Gomes.
Na estratégia de evitar que a qualidade da água potável traga riscos à saúde na região, o governo enviou 150 kits de medicamentos para abastecer 914 comunidades isoladas. Cada kit seria suficiente para garantir primeiros socorros a três mil pessoas. Hoje (quarta-feira), o presidente em exercício José Alencar deve assinar Medida Provisória garantindo o repasse de R$ 30 milhões da União para ajudar nos trabalhos da Defesa Civil.
Durante entrevista, Ciro Gomes disse de forma veemente que a hipótese mais provável para a estiagem é o aquecimento de dois graus das águas do Atlântico Norte, mesmo causa que resultou no Katrina, furacão que arrasou a região de Nova Orleans, nos Estados Unidos. A uma pergunta sobre a "omissão" do governo, que não estaria combatendo o desmatamento na Amazônia, o ministro disse que os críticos "não têm a menor informação do que está ocorrendo". Ele rebateu crítica de que a colega dele no governo, a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, nada faz para combater madeireiros. "Números em tempo real mostram que o desmatamento na Amazônia diminuiu", afirmou, sem dar mais detalhes.
Ao responder a críticas de lentidão por parte do governo em socorrer as vítimas da seca, Ciro Gomes disse que o governo demorou "mais ou menos" meia para dar apoio às populações ribeirinhas. Ele salientou que o governo só poderia interferir depois que as autoridades locais e o governador do Amazonas, Eduardo Braga (PPS), decretasse estado de calamidade, o que ocorreu no dia 11. Nesse mesmo dia, o Ministério da Integração começou o trabalho de ajuda. "A opinião pública deve saber que estiagem é regular todos os anos", disse. "Esta seca, no entanto, é a maior dos últimos anos."
O governo federal e do Amazonas já providenciaram, segundo Ciro Gomes, 50 mil cestas básicas cada para as famílias que enfrentam a estiagem. O ministro disse esperar que o período de chuvas estabeleça a normalidade da vida na região. "Vamos rezar a Deus para que tudo se consuma logo como está previsto", afirmou.

OESP, 19/10/2005, p. A13

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