OESP, Metrópole, p. C6
04 de Abr de 2007
Com verba federal, Guarulhos promete tratar 33% do esgoto
União deve investir R$ 130 milhões; criticada por Serra, cidade diz ser discriminada pelo Estado
Sérgio Duran
O superintendente do Serviço Autônomo de Água e Esgoto (Saae) de Guarulhos, João Roberto Rocha Moraes, afirma esperar para os próximos meses a liberação de R$ 130 milhões do governo federal para a construção de três estações de tratamento de esgoto e de coletores-tronco. Com essa verba e a contrapartida obrigatória do município, será possível elevar a porcentagem de esgoto coletado e tratado na cidade de zero para 33%, em três anos. Para atingir 100%, seriam necessários R$ 450 milhões.
As declarações do governador José Serra (PSDB), anteontem, criticando o acordo firmado entre a prefeitura de Guarulhos e o Ministério Público Estadual (MPE) para tratar 100% do esgoto em 30 anos esquentaram a guerra política entre o Estado e o município, que lança, sem tratamento, 1.000 m³ de dejetos por segundo no Rio Tietê.
Ao anunciar projetos ambientais do governo, Serra afirmou que a poluição do Tietê é causada especialmente por Guarulhos, e o acordo entre a prefeitura e o MPE é "maluco".
Na verdade, Guarulhos é a única cidade que não trata nada do que coleta, e, em alguns casos, nem coleta. Em comparação a outras cidades mais pobres, como Poá, a situação do município é vergonhosa. Porém, cerca de 3 milhões de paulistanos, quase três vezes a população guarulhense (1,2 milhão), ainda não têm acesso ao tratamento de esgoto.
Procurado pela reportagem, o prefeito Eloi Pietá (PT) afirmou, por meio da sua Assessoria de Imprensa, que "o assunto é tão sério que deve ser discutido na esfera técnica". O superintendente do Saae declarou, no entanto, que a cidade tem sido sistematicamente discriminada pelo governo do Estado e que o problema poderia ser resolvido mais rapidamente na esfera política mesmo.
"Se a Sabesp (Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo) quiser, ou seja, se o governador assim desejar, já que se trata de uma autarquia estadual, o problema do esgoto de Guarulhos é resolvido em 12, 15 anos, no máximo", afirma Moraes.
A ajuda a qual Moraes se refere diz respeito à construção de coletores-tronco de esgoto. Geralmente, a cidade é que constrói a rede coletora. Em alguns casos, a Sabesp executa as obras dos coletores-tronco para levar os dejetos às estações de tratamento de esgoto mais próximas. Há duas estações que poderiam atender a Guarulhos, a do Parque Novo Mundo, na zona norte da capital, e a de São Miguel (leste).
Ocorre que Guarulhos não participou do início das discussões do Projeto Tietê, em 1990, e acabou ficando de fora do sistema. A cidade processa a Sabesp contestando o preço cobrado pelo abastecimento de água. "O acordo que fizemos não levava em conta nenhuma ajuda. Os 30 anos dados ao Saae contavam apenas com o orçamento da autarquia", ressalta o promotor Zenon Lotufo.
OESP, 04/04/2007, Metrópole, p. C6
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