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Com rosto pintado e cocar, índios provam que sabem jogar futebol

Globo Esporte - http://globoesporte.globo.com
09 de fev de 2014

Carregando troncos, índios do Gavião Kykatejê focam na preparação física e superaram a desconfiança do público e dos adversários para jogar Série A do Pará

Bom Jesus do Tocantins é uma cidade pacata a 480 quilômetros de Belém, capital do Pará. É de lá que vem a equipe profissional de futebol chamada Gavião Kykatejê. O time representa a aldeia indígena local, fez uma trajetória de sucesso, passando rapidamente do amadorismo ao profissionalismo, superando no caminho uma série de preconceitos de etnia e chegando hoje à primeira divisão do campeonato paraense.

O time, que para se preparar fisicamente faz exercícios carregando toras de madeira a maneira dos tradicionais esportes indígenas, conta em suas fileiras com o atacante Aru, legítimo representante da tribo, que conta do orgulho em representar seu povo e do preconceito que enfrentou para chegar até aqui.

- Ouvi que índio não sabe jogar, que índio é bicho, que não tem condições de jogar bola, que tem que voltar pra mata. Não é uma palavra assim, uma frase que vai me desanimar de eu fazer o que eu gosto, isso pra mim é como um incentivo, levo no peito, na raça, na força isso me faz me fortalecer cada vez mais. Sempre vou lutar pelo Gavião, ainda mais representando nossa etnia. Que a gente vem batalhando a vários anos, eu como remanescente desde o primeiro ano, a gente fica feliz demais de representar e poder fazer o que a gente mais gosta que é jogar futebol. Lá dentro a gente sente uma emoção muito grande quase não tem explicação - explica o centroavante Aru.

O clube nasceu como Castanheira Esporte Clube, e disputava competições da Liga Amadora de Marabá. Em 2007 os índios da tribo Kyikatejê-Gavião compraram o clube que virou um time exclusivo para os membros da aldeia. E jogaram bem, sendo campeões da liga amadora. No ano seguinte a equipe se profissionalizou. Comandada por Zeca Gavião, cacique da tribo, primeiro presidente e primeiro treinador da equipe, o time virou o Gavião Kyikatejê Futebol Clube e depois de dois anos na segundona paranaense e conseguiu vaga na primeira divisão.

O elenco do time hoje em dia tem 27 jogadores, sustentados por um orçamento de R$ 90 mil, angariados junto aos patrocinadores locais. O clube sofre um pouco com as viagens para jogar o Parazão, já que Marabá, onde manda seus jogos é distante da capital do estado. Além disso, os jogadores brancos e negros devem se submeter às tradições da tribo, se abstendo de se envolver com as mulheres indígenas, segundo afirma o cacique Zeca Gavião.

- A primeira regra é não se envolver com nenhuma indígena. Os brancos, né, porque o objetivo deles aqui é ajudar a gente a crescer, subir o time. A outra é o horário de dormir. Então ele tem até 22h, para eles vir, comunicar com a esposa, com a namorada, com a família e 22h30 desceu todo mundo para a concentração - explica o cacique.

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