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Com chuvas, governo desliga termelétricas

O Globo, Economia, p. 23
06 de Ago de 2015

Com chuvas, governo desliga termelétricas
Deixarão de operar 21 usinas, gerando redução de gastos de R$ 5,5 bilhões

Danilo Fariello

-BRASÍLIA- Diante da melhora do cenário de chuvas para geração de energia hidrelétrica, da expansão do parque de usinas existentes e da queda do consumo de eletricidade com o desaquecimento econômico, o governo decidiu reduzir, a partir do primeiro minuto de sábado (dia 8), a geração de energia elétrica gerada por usinas termelétricas, mais caras. Segundo o ministro de Minas e Energia, Eduardo Braga, serão desligadas 21 usinas, que geram dois mil megawatts médios - do total de 12 mil MW médios em operação atualmente. A redução significará uma economia de R$ 5,5 bilhões até o fim deste ano.
IMPACTO NA CONTA DE LUZ
Nos próximos dias, a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) deverá avaliar o impacto prático da medida nas bandeiras tarifárias, que indicam aumento das contas de luz quando os custos de geração sobem. Desde janeiro, os consumidores têm um acréscimo nas contas de luz em razão da vigência da bandeira vermelha. O custo atual mensal é de R$ 5,50 por cem megawattshora (MWh) consumidos.
- O próximo passo é a Aneel fazer um estudo para que possamos anunciar qual será o posicionamento com relação às bandeiras. Estamos sendo prudentes com relação a essas decisões porque sabemos a repercussão que têm. Não fizemos isso (desligamentos) de forma antecipada porque não queríamos fazê-lo sem todas as variáveis analisadas - disse Braga.
O diretor-geral da Aneel, Romeu Rufino, não comentou a possibilidade de alteração da bandeira vermelha. A medida foi tomada em consenso pelas autoridades do setor elétrico na reunião do Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE). Para Hermes Chipp, diretor-geral do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), mesmo com a decisão de reduzir a geração de usinas termelétricas, que custam mais de R$ 600 por MWh, não há risco de faltar energia este ano:
- Há previsão, em 2015, de redução da carga em cerca de 1,8%, o que é favorável. Associada à expansão da geração com eólicas, (a hidrelétrica de) Teles Pires e a expansão (das usinas) do Rio Madeira até o fim do ano, nos permite prever chegar a 30,8% de energia armazenada ao fim do período seco deste ano.
Embora as autoridades apontem que o risco de faltar energia seja zero, a nota oficial do CMSE aponta um risco de déficit de energia de 1,2% nas regiões Sudeste e Centro-Oeste neste ano, pelos critérios técnicos adotados desde o ano passado. Segundo Albert de Melo, diretor-geral do Centro de Pesquisas de Energia Elétrica (Cepel), ligado à Eletrobras, porém, o risco é, na prática, zero, incluindo ou não estes dois mil MW médios de termelétricas - suficientes para abastecer 2,7 milhões de residências.
Segundo Braga, a decisão de desligar térmicas tem em vista o custo-benefício para os brasileiros. Ele destacou que o governo já vinha reduzindo o consumo de térmicas, que chegou a ser de 15 mil MW médios no auge do uso dessas usinas para suprir a escassez de água nos reservatórios.

O Globo, 06/08/2015, Economia, p. 23

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