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Com Bolsonaro eleito, indígenas negociam preservação da Amazônia na ONU

Jornal GGN - https://jornalggn.com.br/noticia
21 de nov de 2018

Com Bolsonaro eleito, indígenas negociam preservação da Amazônia na ONU

Jornal GGN - Grupos indígenas da Amazônia propuseram nesta quarta (21), durante a Conferência da ONU sobre Biodiversidade, no Egito, a criação da "maior área protegida do mundo", do tamanho México, que vem sendo chamada de "corredor sagrado de vida e cultura". Segundo reportagem do The Guardian, trata-se de uma zona de preservação com "200 milhões de hectares para pessoas, vida selvagem e estabilidade climática que se estenderia através das fronteiras dos Andes até o Atlântico."

O jornal informou que a Colômbia já havia esboçado um projeto similar de proteção tripla A (Andes, Amazônia e Atlântico), e pretendia apresentar o plano com apoio do Equador nas negociações climáticas do próximo mês. Mas "a eleição de novos líderes de direita na Colômbia e no Brasil", com Jair Bolsonaro, "colocou em dúvida o que teria sido uma grande contribuição das nações sul-americanas para reduzir as emissões".

Por isso, a aliança indígena que excede fronteiras nacionais, representando 500 culturas em 9 países amazônicos, "entrou na briga com sua própria proposta de 'corredor sagrado de vida e cultura' que seria do tamanho do México."

A proposta inicial da Colômbia abrangia área menos que a proposta pela frente indígena, e se concentrava apenas na biodiversidade e no clima. "Mas o entusiasmo do governo diminuiu desde uma eleição em junho na qual o populista direitista Iván Duque assumiu o poder. O Brasil estava mais cético, mas já havia se engajado em conversas em nível ministerial sobre o plano do corredor. Sua oposição provavelmente crescerá sob seu novo presidente de direita, Jair Bolsonaro, que assumirá o poder em janeiro", anotou o The Guardian.

O jornal lembrou que Bolsonaro ameaçou sair do acordo climático de Paris caso não tivesse "garantias sobre a soberania brasileira nas terras indígenas e na região tripla A". Na semana passada, ele nomeou para o Ministério das Relações Exteriores o servidor Ernesto Araújo, que já foi objeto de crítica de ambientalistas internacionais, preocupados com a visão ideológia do escolhido. Em artigos na internet, Araújo já escreveu que as mudanças climáticas são uma invenção do marxismo.

Um dos grupos liderando o debate na ONU é o Coica (Coordenação da Organização Indígena da Bacia do Rio Amazonas), que não reconhe as fronteiras estabelecidas pelos colonizadores e seus descendentes sem o consentimento dos povos indígenas que vivem na Amazônia há milênios.

Os líderes do Coica disseram ao Guardian que iriam avançar com o plano, independentemente da situação política em mudança. "Eles estão buscando representação no nível do governo na Convenção da ONU sobre Biodiversidade e querem se aliar com grupos indígenas e ONGs de outros países."

"Mas seu poder político é fraco e muitos temem que possam ser atacados de forma mais violenta pelo agronegócio e os mineiros são encorajados pelo governo a entrar em seu território", ressaltou o diário.

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Jornal GGN

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