VOLTAR

Colors mostra esplendor e miséria da Amazônia

OESP, Cultura, p. D6
20 de Ago de 2006

Colors mostra esplendor e miséria da Amazônia
Pela primeira vez publicação da Beneton é editada em português e revela a extensão do desastre ecológico

Antonio Gonçalves Filho

Pela primeira vez desde que foi criada há 15 anos pelo publicitário Oliviero Toscani e o criador da marca Benetton, Luciano Benetton, a trimestral Colors (R$ 39,50) é editada em português, dedicando seu número 68 à Amazônia. Uma equipe da revista passou 20 dias na região, entrevistando índios, mineradores, religiosos e exploradores de madeira. É um trabalho de fôlego de repórteres que desceram o Rio Negro para ver como vivem as populações ribeirinhas, as tribos e os aventureiros que partiram para a floresta. Diariamente eles arriscam a vida em busca de diamantes e madeira, enfrentando a malária, traficantes e uma natureza hostil à presença do homem.

Especialmente para a edição brasileira colaboraram a editora de arte Ana Fortes e o fotógrafo Batman Zavarese, que já havia trabalhado num documentário sobre a Rocinha patrocinado pela Fabrica, a usina de experimentação artística que a Benetton mantém em Treviso, Itália. Este número especial conta também com um editorial assinado pelo ministro da Cultura Gilberto Gil, que defende um pacto pelo desenvolvimento sustentável da Amazônia. Esse pacto, de alguma maneira, foi anunciado com a criação, em junho, de três unidades de conservação das áreas de desmatamento, somando quase 2 milhões de hectares (a Amazônia perde uma Bélgica por ano em árvores).

A primeira página da revista antecipa uma catástrofe, na forma do anúncio do Greenpeace em que um burrico atravessa a terra devastada. Uma assustadora advertência sobrepõe-se à imagem: "E você pensava que a Amazônia era um lugar cheio de árvores..." Ainda é (80% da floresta permanece intacta), mas ninguém garante que se possa dizer o mesmo daqui a 50 anos. Ou menos.

Colors fala tanto da tragédia ecológica como do drama humano de quem luta para sobreviver na região, onde moram 17 milhões de pessoas. Entrevista Sebastião, um senhor de 70 anos que traficou drogas e hoje (sobre)vive em Rondônia derrubando árvores. Conta a comovente história do maranhense Leônidas, que um dia achou um diamante de US$ 1 milhão e teve de entregá-lo ao chefe da reserva indígena de Cinta Largada (eles não costumam dialogar com mineradores que escondem pedras encontradas em suas minas). Conta também histórias de meninas que ficam grávidas com 10 anos, travestis, barqueiros, seguranças, pescadores, professoras e religiosos dispostos a resgatar uma ou duas almas perdidas naquele que já foi chamado de "inferno verde", hoje ameaçado pela criação de gado e pelo plantio de soja.

OESP, 20/08/2006, Cultura, p. D6

As notícias aqui publicadas são pesquisadas diariamente em diferentes fontes e transcritas tal qual apresentadas em seu canal de origem. O Instituto Socioambiental não se responsabiliza pelas opiniões ou erros publicados nestes textos. Caso você encontre alguma inconsistência nas notícias, por favor, entre em contato diretamente com a fonte.