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Colômbia quer dados do Sivam

CB, Mundo, p. 25
11 de Mar de 2004

Colômbia quer dados do Sivam
Chanceler de país vizinho pede apoio brasileiro no combate ao tráfico de drogas e ao crime organizado na fronteira. Segundo a ministra, guerrilheiros das Farc entram e saem de nosso território

Da Redação

Os governos do Brasil e da Colômbia reafirmaram ontem a disposição de trabalhar em conjunto na região da fronteira para combater o narcotráfico e o crime organizado. Os colombianos querem, para isso, acesso a dados de controle aéreo gerados pelo Sistema de Vigilância da Amazônia (Sivam).

A troca de informações foi um dos temas da conversa ontem entre os ministros das Relações Exteriores do Brasil, Celso Amorim, e da Colômbia, Carolina Barco. A possível utilização pela Colômbia do programa Sivam representará avanço significativo na vigilância do tráfego aéreo ilegal entre os dois países e no combate ao narcotráfico, diz comunicado conjunto, divulgado ao final da reunião no Palácio do Itamaraty, à tarde.

Barco afirmou que as fronteiras da Colômbia com o Brasil, Peru, Equador e Venezuela são '' muito permeáveis''. ''As Farc se movem por essas fronteiras'', disse, referindo-se aos guerrilheiros das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia.

Mas a ministra destacou que, com os acordos de intercâmbio de informações assinados com os vizinhos recentemente, há como enfrentar essa situação. Citou até o exemplo do combatente das Farc conhecido como Tiberio, que atravessava a fronteira colombo-peruana com freqüência e foi morto há dez dias, graças, segundo a chanceler, ao intercâmbio de informações com o Peru.

''A Colômbia está empenhada neste momento em conquistar o domínio do país e o fará com toda sua força'', declarou Barco. ''Mas terá mais sucesso se tiver o apoio de seus vizinhos na área de inteligência. Assim, seremos mais efetivos e os problemas dos vizinhos serão menores'', continuou.

Em fevereiro, os ministros da Defesa da Colômbia, Brasil e Peru assinaram, em Tabatinga (AM), um memorando de entendimentos para combater a criminalidade nos rios que correm na região de fronteira desses três países.
Conversações de paz
No encontro, Amorim e Carolina conversaram também sobre a possibilidade de ser realizada em território brasileiro uma reunião entre representantes da Organização das Nações Unidas (ONU) e das Farc. A oferta foi feita em 2003 pelo governo brasileiro e aceita pela administração colombiana, mas, até agora, não foi possível chegar a um acordo.

Segundo Carolina, para iniciar negociações, o governo do presidente Álvaro Uribe exige dos guerrilheiros a suspensão das hostilidades. Nos últimos meses, no entanto, tropas do governo mantiveram forte ofensiva contra os grupos armados de esquerda. Diplomático, Amorim afirmou que, para que as negociações comecem, é preciso haver diálogo. ''A oferta está de pé'', afirmou.

No fim da tarde, Barco foi recebida pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. É a segunda vez que a ministra visita Brasília. A primeira foi há um ano, quando o presidente Uribe reuniu-se com Lula.

Paramilitar é condenado

Carlos Castaño, líder do Autodefesas Unidas da Colômbia (AUC), principal grupo paramilitar colombiano, foi condenado a 38 anos de prisão por mandar assassinar o jornalista e humorista Jaime Garzón. Garzón foi morto por pistoleiros em 1999, quando se dirigia à sede do canal de TV onde trabalhava. O motivo teriam sido as tentativas do repórter de contactar grupos guerrilheiros para libertar reféns. A condenação de Castaño pode dificultar ainda mais a negociação entre o chefe paramilitar e o governo colombiano para desmobilizar cerca de 13 mil militantes do grupo. Castaño não aceitou a proposta do governo de ser extraditado para os Estados Unidos. Dois homens acusados de executar o crime foram inocentados por falta de provas.

Avião do Brasil é destruído

A Força Aérea Colombiana (FAC) destruiu mais um avião que entrou ilegalmente em seu território a partir do Brasil. A aeronave cruzou a fronteira, sobrevoou os estados colombianos de Amazonas e Vaupés e pousou em uma pista na cidade de Pacoa - perto de Bogotá -, onde foi metralhado.

Segundo autoridades colombianas, um avião da FAC interceptou a aeronave, que não tinha plano de vôo autorizado e apresentava matrícula paraguaia irregular. Na pista, oficiais tentaram fazer contato com os tripulantes, mas não obtiveram resposta. Em seguida, metralharam o aparelho, que pegou fogo.

Este é o segundo avião proveniente do Brasil que é abatido na Colômbia, em 15 dias. As autoridades não revelaram o número de tripulantes e nem a carga que era transportada pela aeronave.

CB, 11/03/2004, Mundo, p. 25

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