A Crítica-Manaus-AM
12 de Dez de 2001
Dirigentes da Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (Coiab) estiveram reunidos durante a terça e quarta-feiras no "Encontro das Organizações Indígenas conveniadas com a Fundação Nacional de Saúde (Funasa)". O evento reuniu cerca de 70 pessoas no Centro Cultural Palácio Rio Negro e tinha como um dos objetivos discutir com técnicos do Governo Federal a possibilidade de implementação do Programa Nacional de Agricultura Familiar (Pronaf) em terras indígenas na Amazônia.
Desde maio deste ano uma comissão, formada por representantes do Ministério da Agricultura, Funasa e Banco do Brasil, entre outras, já vem discutindo a questão, de acordo com a Coiab. Agora, um grupo formado por lideranças indígenas vai acompanhar o debate sobre o assunto, segundo informou ontem o assessor de comunicação da Coiab, Manuel Lima. "A proposta do Pronaf indígena é incipiente. Existem muitos entraves burocráticos", disse.
Uma das sugestões aprovadas ontem, durante o encontro, foi a formação de um grupo de trabalho para estudar a formação desse Programa voltado para povos indígenas. A idéia é levantar o máximo de informações de forma que no encontro sobre direitos indígenas que vai acontecer em janeiro, em São Gabriel da Cachoeira, se possa aprofundar a discussão sobre o assunto. "Até lá devem surgir novas propostas", espera Lima.
A Coiab acredita que o Pronaf pode ser uma forma de elevar a qualidade de vida das comunidades tendo como exemplos experiências entre comunidades do povo Kaingang, na Terra Indígena Chapecó, em Santa Catarina.
Outro assunto discutido no encontro de ontem, segundo Lima, foram os Distritos Sanitários Especiais Indígenas (DSEIs). Os comunidades tinham o objetivo de mostrar que apesar das dificuldades, eles vêm dando certo. "É preciso que se entenda que a condição de saúde nos municípios da Amazônia é precária encarecendo custos de saúde indígena. Aqui o custo sempre é maior", disse completando que o modelo está em construção. O grande desafio, na opinião dele é tornar esse modelo em um modelo diferenciado, respeitando os desafios etnico-sociais.
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