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Cobertura florestal do planeta cai 1 ponto percentual em 25 anos

O Globo, Sociedade, p. 23
07 de Jul de 2018

Cobertura florestal do planeta cai 1 ponto percentual em 25 anos
Segundo a ONU, áreas verdes abrangem 30,6% da superfície terrestre

Um relatório divulgado ontem pela Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) atestou que a área florestal mundial diminuiu de 31,6% da superfície seca do planeta para 30,6% entre 1990 e 2015.

O documento, intitulado "O estado das florestas no mundo", destaca que estas áreas verdes trazem "contribuições vitais para as populações e o planeta, reforçando meios de subsistência, fornecendo ar limpo e água, conservando a biodiversidade e respondendo às mudanças climáticas". Também atuam como fonte de alimento, remédios e combustível para mais de 1 bilhão de pessoas.

De fato, o desmatamento é considerado pelos cientistas a segunda principal causa das mudanças climáticas, perdendo apenas para a queima de combustíveis fósseis. A redução da cobertura florestal é responsável por quase 20% das emissões de gases de efeito estufa do mundo. Se preservadas nos níveis atuais, as áreas verdes podem absorver anualmente cerca de 2 bilhões de toneladas de dióxido de carbono, que contribui para o aquecimento global.

Após assinarem o Acordo de Paris, os 25 países com maior cobertura florestal - entre eles o Brasil - se comprometeram a reduzir o desmatamento e aumentar plantios para evitar que o avanço da temperatura global ultrapasse a marca de 2 graus Celsius.

POBREZA AMEAÇA MATAS

As regiões com maior índice de desflorestamento são América Latina, África Subsaariana e o Sudeste da Ásia, onde há mais comunidades dependentes de recursos vegetais e menos investimentos em planos de manejo que visam à proteção do solo e da água. Estas localidades concentram mais de 250 milhões de pessoas que vivem abaixo da linha da pobreza.

De acordo com a FAO, o crescimento projetado da população mundial - dos atuais 7,6 bilhões para aproximadamente 10 bilhões de pessoas até 2050 - influenciará a demanda global por alimentos, que deve aumentar 50% neste período. Isso colocaria uma "enorme pressão sobre a maneira como usamos a terra produtiva, particularmente nos países em desenvolvimento, onde está a esmagadora maioria das 800 milhões de pessoas mais pobres e famintas do mundo", indica o relatório.

Desta forma, o desflorestamento, provocado principalmente por atividades econômicas como agricultura e pecuária, ameaça não apenas a subsistência de comunidades locais e povos indígenas, como também "a variedade da vida no nosso planeta": "Mudanças no uso da terra resultam em perda de habitats valiosos, degradação do solo, erosão, diminuição da água limpa e liberação de carbono na atmosfera".

Na semana passada, um relatório do projeto Global Forest Watch (GFW), coordenado pela ONG World Resources Institute com a Universidade de Maryland, nos EUA, mostrou que os últimos dois anos registraram as maiores perdas de cobertura vegetal desde o início das medições, em 2001. Apenas em 2017, foram cortados 294 mil quilômetros quadrados de áreas verdes no planeta, o equivalente ao território da Itália. O Brasil foi o segundo país com maior diminuição da região arbórea, atrás apenas da Rússia.

O Globo, 07/07/2018, Sociedade, p. 23

https://oglobo.globo.com/sociedade/area-florestal-do-planeta-diminui-1-…

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