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CNI vê biodiversidade como nova 'revolução industrial'

OESP, Economia, p. B3
23 de Ago de 2020

CNI vê biodiversidade como nova 'revolução industrial'

Entidade afirma que investimentos no setor podem ajudar País a reduzir dependência externa de insumos

Giovana Girardi, O Estado de S.Paulo

Na busca por retomar o crescimento da economia e fazer isso de um modo a atender às preocupações com o meio ambiente, um caminho defendido por cientistas e ambientalistas, e também visto com bons olhos pela indústria e pelo governo, é investir na bioeconomia. O conceito é amplo e depende de quem está defendendo - mas, em geral, vai de estratégias focadas em aprimorar o extrativismo na Amazônia a planos para aumentar o potencial de usos de produtos agrícolas, como a cana-de-açúcar.

Na sexta-feira, a Confederação Nacional da Indústria (CNI) lançou o estudo Bioeconomia e a Indústria Brasileira, em que defendeu que a "biodiversidade pode subsidiar a Quarta Revolução Industrial" no País.

O trabalho defende o desenvolvimento de uma nova indústria que "se apropria de soluções desenvolvidas pela natureza para a produção de combustíveis, commodities químicas e moléculas de alto valor agregado". E aponta que isso poderia ajudar o Brasil a reduzir a dependência externa de insumos e ainda aumentar a conservação da biodiversidade.

"A biodiversidade pode subsidiar a Quarta Revolução Industrial, ao fornecer materiais a serem transformados em fonte de riqueza. Se conseguir se apropriar de forma sustentável dessa biodiversidade, o Brasil pode se reinventar como superpotência tropical da biodiversidade, o que, forçosamente, se dará a partir da conexão entre conhecimento e empreendedorismo, como bases para a inovação", aponta o documento.

"A Quarta Revolução Industrial pode vir a ser uma Revolução da Biodiversidade, na qual o Brasil se fortaleça, valorize e usufrua de sua rica biodiversidade, centrada no desenvolvimento, na capacidade de criação e no empreendedorismo", completa.

Velha economia
Apesar de apontar as possibilidades da biodiversidade, o estudo trabalha com um conceito um pouco mais elástico de geração de renda a partir de recursos biológicos, explica Davi Bomtempo, gerente executivo de Meio Ambiente e Sustentabilidade da CNI. Assim, cadeias já consolidadas, como o setor sucroalcooleiro e de papel e celulose, são os destaques.

Segundo a publicação, da cana-de-açúcar o Brasil tira sete produtos (açúcar, etanol, rum, cachaça, pellets, eletricidade e biogás), mas poderia tirar outros 11: bioplásticos, corantes, ácidos orgânicos, aminoácidos, lubrificantes, fármacos, enzimas, fragrâncias, cosméticos, detergentes e solventes.

O mesmo poderia ocorrer com o setor de base florestal, composto principalmente por plantações de eucalipto e pinus. "Atualmente, o setor gera principalmente celulose, papel, pisos, painéis, carvão vegetal, pellets e eletricidade. Em 2018, foram gerados R$ 86,6 bilhões, equivalentes a 1,3% do PIB e 6,9% do PIB industrial. Entretanto, é possível ampliar a escala e/ou desenvolver outros produtos como lignina, etanol celulósico, bioplásticos, nanofibras, 'tall oil' e bio-óleo, além de tornar viável alternativas a materiais metálicos, plásticos, telas de LCD e outros", aponta o documento.

OESP, 23/08/2020, Economia, p. B3

https://economia.estadao.com.br/noticias/geral,cni-ve-biodiversidade-co…

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