O Globo, Ciência, p. 28
15 de Mai de 2007
Clima isola EUA de aliados
Governo americano quer esvaziar acordo do G8 sobre aquecimento
O esboço de um acordo sobre reduções de emissões de gases que causam o efeito estufa, previsto para ser concluído durante o próximo encontro do Grupo dos Oito (G8), em junho, já encontra resistência dos EUA. O governo americano não concorda com diversas cláusulas do documento, que pretende estabelecer metas para que a temperatura global não suba mais que 2 graus Celsius e que as emissões sejam reduzidas pela metade até 2050.
Preparado pela Alemanha, que está na presidência rotativa do G8, o documento diz que o aquecimento global exige uma ação imediata.
Com a ONU acenando com a prorrogação do Acordo de Kioto, o encontro do G8 é visto como crucial para que novas medidas contra as mudanças climáticas sejam tomadas. A chanceler federal da Alemanha, Angela Merkel, já declarou que o clima é uma prioridade para o G8, tendo recebido o apoio de outros líderes do Grupo, entre eles, o premier britânico Tony Blair.
Minando o caminho pós-Kioto
Os representantes americanos não querem ver divulgada uma cláusula do documento, que diz que as mudanças climáticas estão acontecendo a uma velocidade cada vez maior e que elas estão afetando o meio ambiente. Os EUA também não querem que o documento do G8 declare que o tema é uma ameaça à economia mundial e que medidas urgentes têm que ser tomadas .
O documento do G8 cita como referência os relatórios divulgados recentemente pelo Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas das Nações Unidas (IPCC, na sigla em inglês) que, entre outras coisas, asseguram que o aquecimento global é resultante da ação do homem. Os EUA pretendem também vetar referências sobre a importância da eficiência energética nas áreas de construção e transportes; além de alusões a um futuro mercado global de carbono.
- O governo americano deseja que nada seja feito enquanto Bush estiver no poder - protestou Philip Clapp, da ONG ambientalista National Environmental Trust. - Ele parece querer colocar minas no caminho rumo a um acordo posterior a Kioto, como uma espécie de herança para o seu sucessor.
O Globo, 15/05/2007, Ciência, p. 28
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