O Globo, Ciência, p. 34
26 de Set de 2007
Clima: EUA ameaçam retaliar China
Índia também poderia sofrer sanções se não reduzir emissões de CO2
Washington
Considerados os maiores poluidores da História, os Estados Unidos são criticados por não acatarem o Acordo de Kioto, que limita as emissões de gases do efeito estufa dos países industrializados. Mesmo assim, o país considera sanções comerciais a duas nações em desenvolvimento - China e Índia - caso elas se recusem a limitar as suas próprias emissões de CO2. Foi o que sugeriu o representante americano na União Européia, C. Boyden Gray, um pouco antes da reunião, promovida pelo presidente George W. Bush, para discutir o aquecimento global.
- Não podemos fazer nada sem que esses dois países nos ajudem - justificou Gray, em Washington, onde vai acontecer, a partir de amanhã, a reunião, envolvendo 16 países, entre eles, o Brasil.
Gray garantiu que sanções não estão descartadas caso China e Índia se recusem a participar de um acordo global para reduzir os efeitos das mudanças climáticas. O Brasil não foi citado.
Acredito que se houver um impasse, poderemos pensar em retaliações comerciais a essas duas nações - declarou o diplomata.
Além de questionar as evidências científicas em torno do aquecimento global, o governo Bush se recusou a endossar Kioto por não concordar com o acordo, que diz que apenas as nações industrializadas, as que mais contribuíram para o aquecimento global ao longo da história, têm metas de redução a cumprir.
Nações em desenvolvimento - como China, Índia e Brasil, hoje grandes poluidores - não têm metas obrigatórias a cumprir.
O diplomata americano disse acreditar que boa parte da poluição no estado da Califórnia tem origem na China. Segundo ele, os poluentes viajam através do Oceano Pacífico até atingir a Califórnia.
- Nenhum acordo vai ser efetivo sem que tenha a participação da China e da Índia - declarou Gray, citando também um estudo que, segundo ele, mostra que, se a Inglaterra reduzisse suas emissões a zero, isso seria anulado, em um ano, por causa das emissões vindas da China.
Aviação gera impasse com União Européia
Apesar das ameaças, Gray garantiu que é um bom sinal a presença de China e Índia na reunião, promovida por Bush, dias após a Assembléia-Geral da ONU, que tinha justamente o aquecimento global como principal assunto. O fato foi criticado pelo secretário-geral da entidade, Ban Ki-moon, que declarou que a ONU seria o fórum mais adequado para esse tipo de discussão.
- Acho que a presença de representantes do primeiro escalão da China e da Índia na reunião de Washington mostra um avanço, já que poderemos ter debates de alto nível - garantiu Gray.
O representante americano criticou também a proposta da União Européia de incluir a aviação entre os setores que deveriam participar do sistema de corte de emissões. De acordo com Gray, os países europeus não têm autoridade para propor tal medida.
- Se os europeus insistirem com isso, poderemos chegar a um impasse indesejável, já que outros países, além dos Estados Unidos, são contra essa proposta - disse o diplomata americano.
O Globo, 26/09/2007, Ciência, p. 34
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