O Globo, Ciência, p. 38
30 de Ago de 2007
Clima: Brasil mais ousado
País quer metas internas de desmatamento, mas não aceita imposição externa
Eliane Oliveira
O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, afirmou ontem, em audiência pública na Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional da Câmara dos Deputados, que o Brasil passará a ter uma posição menos defensiva nas questões relacionadas ao aquecimento global. Nas negociações internacionais, as áreas diplomática e ambiental do governo estão instruídas a assumir compromissos mais ambiciosos, como a adoção de metas internas para reduzir o desmatamento e os níveis de emissão de carbono.
Segundo o ministro, no entanto, o governo brasileiro não abrirá mão de dois princípios básicos: o meio ambiente deve estar vinculado ao desenvolvimento sustentável; as responsabilidades devem ser maiores para os países ricos, grandes emissores de carbono na atmosfera.
- O Brasil, especialmente se tratando da Floresta Amazônica, é mais uma vítima do que um causador e vai cobrar das nações desenvolvidas ações mais ousadas na defesa do meio ambiente. Temos de sair de uma postura puramente defensiva e passarmos a ter uma posição mais ofensiva - disse.
Amorim enfatizou que o tema deve ser tratado sempre de forma multilateral, tendo as Nações Unidas como foco catalizador. Um acordo mundial, disse, terá de ser equilibrado, com responsabilidades comuns, porém diferenciadas.
- Os países que poluíram mais, que devastaram primeiro suas florestas e emitem mais carbono têm que ter um ônus maior afirmou.
Não vejo problema em alguns países se reunirem para discutir o assunto. Mas todas as decisões devem ser canalizadas na ONU.
Ele lembrou que nos dias 3 e 4 de setembro, será realizada, no Rio, a Reunião Ministerial sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, cujo tema principal será Governança Internacional.
Evento acontece 15 anos após a Rio-92
O evento acontecerá no momento em que a Rio-92 completa 15 anos.
Ministros que representam os países mais atuantes nessa questão vão avaliar o que foi implementado até agora. Amorim afirmou que o Brasil tem feito seu papel e destacou o uso de energia limpa - casos do etanol e do biodiesel. Além disso, tem trabalhado na redução do desmatamento das florestas. As medidas adotadas, lembraram fontes da área diplomática, já resultaram na diminuição em 50% da destruição da Amazônia.
A fase atual é de transição do Protocolo de Kioto - acordo internacional que determina um corte, em média, de 5% das emissões até 2012, em relação a 1990, pelos países desenvolvidos. Ele assegurou que o Brasil é um dos principais interessados em que o clima seja tratado de maneira adequada. Uma das medidas tomadas pelo governo brasileiro foi designar um embaixador para tratar exclusivamente de assuntos climáticos, Sérgio Serra.
O Globo, 30/08/2007, Ciência, p. 38
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