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Ciro vai mudar modelo de administração da ADA

O Liberal-Belém-PA
03 de Jan de 2003

O ministro da Integração Nacional, Ciro Gomes (PPS), tomou posse ontem anunciando que estão suspensos, pelos próximos 30 dias, todos os pagamentos e a tramitação de documentos financeiros do ministério. Ele também informou estar estudando a possibilidade de substituir o modelo de gestão da Agência de Desenvolvimento do Nordeste (Adene) mas garantiu que não pretende reativar a extinta Superintendência de Desenvolvimento da Amazônia (Sudam).

Ciro disse que a suspensão temporária dos pagamentos e documentos antecederá todas as demais medidas administrativas e tem como objetivo resguardá-lo de problemas futuros. "O primeiro ato vai ser suspender todos os pagamentos e toda a tramitação de documentos financeiros, porque deste momento em diante a responsabilidade passa a ser minha", disse o ministro. Segundo Ciro, durante o período de suspensão do caixa do ministério, todos os contratos serão reavaliados. Ele disse que tomou medida semelhante quando assumiu a Prefeitura de Fortaleza e o governo do Ceará.

Ele também informou que vai formar um grupo de trabalho integrado por servidores que trabalharam nas extintas Sudam e Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste (Sudene) a fim de propor uma nova modelagem para as agências. Ciro Gomes classificou de "vulnerável" e "inviável" a estrutura criada pelo governo Fernando Henrique Cardoso para a Agência de Desenvolvimento da Amazônia (ADA) e para a Adene. As duas agências substituíram a Sudam e a Sudene, extintas há dois anos depois de um escândalo de desvio de recursos públicos. Segundo Gomes, o grupo de trabalho deverá, no prazo de 60 dias, formatar a proposta. A equipe será coordenada pela economista Tânia Bacelar, cotada para assumir a Adene.

Em seu discurso de posse, o ministro disse que, de adversário de Lula durante a campanha presidencial, passa hoje a ser aliado fiel do presidente Luís Inácio Lula da Silva. "Quero agradecer a Lula pela confiança e afirmar o meu empenho para estar à altura da confiança recebida", afirmou, acrescentando que pretende contribuir com o governo federal para encontrar uma solução para o problema econômico do País.

Ciro pediu apoio aos prefeitos e governadores, e assegurou que sua equipe trabalhará de forma harmoniosa, porque não é cabível trabalhar de forma isolada e fingindo desconhecer a crise econômica que o País atravessa. Segundo Ciro, o combate aos transtornos provocados por chuvas cíclicas é a prioridade do seu ministério em 2003. Estavam presentes na cerimônia de posse de Ciro Gomes os governadores do Acre Jorge Vianna (PT), do Ceará, Lúcio Alcântara (PSDB), do Amazonas, Eduardo Braga (PPS), e do Mato Grosso, Blairo Maggi, além do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Marco Aurélio Mello, deputados e senadores.

Presidente da Fiepa apóia reestrutura

Para os empresários paraenses, a proposta de reestruturação da Agência de Desenvolvimento da Amazônia (ADA), anunciada ontem durante a posse do ministro da Integração Nacional, Ciro Gomes, não trará problemas, segundo adianta o presidente da Federação das Indústrias do Pará (Fiepa), Danilo Remor. Ele diz que a Fiepa sempre foi contrária a criação de uma nova agência de desenvolvimento para a região, defendendo, sim, uma melhoria na gestão da extinta Superintendência de Desenvolvimento da Amazônia (Sudam). "O problema na Sudam era gerencial e não o órgão em si", declarou.

O empresário afirmou, no entanto, que o anúncio da suspensão de todos os pagamentos e tramitação de documentos na área da integração, que ocasionará a suspensão de recursos para empresas paraenses, será prejudicial para o empresariado. "O que precisamos é de regras claras e definitivas, conzidentes com essa nova gestão que entra. Os recursos para as empresas do Norte e Nordeste são muito importantes para o desenvolvimento dessas regiões", defendeu.

"Essa nova suspensão na liberação de recursos é muito nociva para os empresários e, por conseguinte, para o Estado. Estamos há dois anos enfrentando essa crise", disse, adiantando que a Fiepa convocará os empresários para uma reunião na semana que vem, para discutir o assunto e elaborar propostas a serem apresentadas ao ministro Ciro Gomes. O presidente da Federação da Agricultura do Estado do Pará (Faepa), Carlos Xavier, não foi localizado ontem para comentar as declarações do ministro.

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