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Circuito Quilombola de turismo é apresentado no Sesc Consolação (SP)

ISA - www.socioambiental.org
Autor: Instituto Socioambiental
14 de set de 2012

Circuito Quilombola de turismo é apresentado no Sesc Consolação (SP)

Projeto foi discutido em evento com a presença de técnicos de agências de turismo, universidade, órgãos do governo e organizações não governamentais. Segundo representantes quilombolas, turismo pode gerar renda e manter jovens em suas comunidades

O projeto Circuito Quilombola de turismo foi apresentado, na terça (11/9), no Sesc Consolação, em São Paulo. O evento contou com palestras, um debate sobre a importância do turismo de base comunitária, apresentações de dança e vídeo.

Estiveram presentes representantes de agências de turismo, escolas, universidades, órgãos do governo, organizações não governamentais, imprensa e técnicos do próprio Sesc ligados ao seu programa de turismo social e sustentabilidade.

O circuito inclui 65 atrativos no Vale do Ribeira, no sul de São Paulo, e pretende incrementar a geração de renda nas comunidades e possibilitar ao visitante conhecer a história de luta dos quilombos pela manutenção de sua cultura e de seus territórios. Cachoeiras, trilhas em Mata Atlântica preservada, bóia-cross, apresentações culturais, visita às roças e culinária típica estão no roteiro. O site e o catálogo da iniciativa foram lançados em março, no Quilombo de Ivaporunduva, em Eldorado (SP) (saiba mais).

O projeto foi desenvolvido pelo ISA em parceria com as comunidades quilombolas e o apoio dos ministérios do Desenvolvimento Agrário (MDA) e do Turismo. Ele é resultado de três anos de capacitações, planejamento e formatação dos produtos, nos quilombos de André Lopes, Ivaporunduva, Mandira, Pedro Cubas, Pedro Cubas de Cima, São Pedro e Sapatu, em conjunto com a Associação de Monitores Ambientais de Eldorado (Amamel).

Importância do turismo

O debate focou a importância do turismo como veículo da história e cultura quilombola para as escolas, as vivências que o circuito pode proporcionar ao visitante que busca experimentar algo diferente do turismo de massa e a necessidade de geração de renda para as comunidades, principalmente para juventude e o seu envolvimento com o turismo comunitário.

"Há três anos, o programa Vale do Ribeira do ISA apoia essa iniciativa. Nesse período, vivemos um processo de capacitação, intercâmbios e formatação do circuito. Acreditamos que ele é uma forma de desenvolver a região", disse Raquel Pasinato, do ISA. Ela destacou que o circuito foi construído com as comunidades de forma participativa, buscando valorizar a cultura e a diversidade socioambiental da região.

Silvia Eri Hirao, do SESC, falou da relevância e diversidade cultural e social das comunidades quilombolas. Ela informou que a instituição está disposta a incentivar mais pessoas a conhecerem os roteiros do circuito e até incluir o circuito em seu programa de Turismo Social.

Benedito Alves da Silva, o Ditão, do quilombo de Ivaporunduva, falou sobre a luta das comunidades por seus territórios e o histórico do turismo em quilombos na região, que começou em Ivaporunduva. Ele destacou os desafios que a sua comunidade enfrentou no início do projeto, como a falta de preparo e de infraestrutura e a insegurança sobre os impactos negativos. Ele lembrou que a comunidade buscou capacitações e parceiros para enfrentar essas dificuldades.

Atualmente, em Ivaporunduva, o turismo representa uma fonte importante de renda complementar e envolve quase todas as famílias direta e indiretamente, como fornecedores de produtos, monitores ambientais, cozinheiras e arrumadeiras. Com ajuda do Itesp (Instituto de Terras de São Paulo), a comunidade conseguiu construir um centro de visitantes que funciona como local de alimentação e hospedagem de visitantes.

Ditão também falou da importância do circuito quilombola para as outras seis comunidades envolvidas (Pedro Cubas, Pedro Cubas de Cima, Sapatu, André Lopes, São Pedro e Mandira). Ele informou que elas passaram por um processo intenso de capacitações nos últimos quatro anos e que estão começando as atividades turísticas em seus territórios.

"Ivaporunduva recebe por ano cerca de 100 visitas de escolas do estado e de outros estados. A ideia é fazer com que as agências levem os turistas para as outras comunidades", afirmou Ditão.

"O turismo que temos na região é importante porque não é só de um grupo, mas da comunidade. Essa é a importância que não vemos em outros lugares. Por ser um turismo quilombola, chamamos de turismo 'etno-cultural'. Está atrelado a ele a história da época da escravidão", ressaltou Ditão.

Ele acredita que o turismo pode ajudar a manter os jovens na terra oferecendo alternativas de trabalho e renda, além de proporcionar a valorização dos bens culturais e históricos dos quilombolas. Ele ressalvou que as comunidades precisam manter-se unidas e estabelecer limites para a atividade, que também pode trazer impactos negativos, como o tráfico de drogas e prostituição. Defendeu que os quilombolas continuem suas atividades agrícolas, sociais e culturais e tenham no turismo uma atividade complementar.

No encerramento do evento, o grupo cultural da Nhá Maruca, do quilombo de Sapatu, apresentou a dança de mesmo nome. Nos antigos bailes da comunidade, a "Nhá Maruca" era realizada em despedidas e ao amanhecer, quando os homens sapateiam com tamancos de madeira, acompanhados pelo som da viola, e as mulheres conduzem a dança. Ao final, os dançarinos convidaram o público para dançar juntos.

Para saber mais sobre o Circuito Quilombola, visite www.circuitoquilombola.org.br e www.facebook.com/circuitoquilombola.

https://www.socioambiental.org/nsa/detalhe?id=3670

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