VOLTAR

CIR teme conflitos e diz que índios vão continuar plantando arroz

Folha de Boa Vista-Boa Vista-RR
17 de Abr de 2005

As entidades indígenas confirmaram que as comunidades da Reserva Raposa/Serra do Sol já estão comemorando a homologação. Após receberem posse definitiva da terra, as lideranças indígenas agora querem apoio do Governo Federal para garantir a segurança e o desenvolvimento da reserva.
O coordenador do Conselho Indígena de Roraima, tuxaua macuxi Marinaldo Trajano, disse que algumas comunidades temem represálias e conflitos com não-índios, principalmente no município de Uiramutã, região que ficou fora da homologação das terras em Roraima. Ele disse que 21 indígenas foram mortos em luta com não índios na Raposa/Serra do Sol.
"Foi muito sacrifício. Somos pacíficos e agora queremos união entre todos nós, os povos indígenas. Isso é o mais importante. Nós temos muito medo do aumento da violência, pois parece que índio é problema. Sofremos ameaças e violências há muito tempo e queremos solução para este problema", disse.
O vice-presidente do Conselho Indigenista Missionário (CIMI), Saulo Feitosa, vê com receio a permanência do núcleo urbano. "Temos experiência de terras indígenas que estão homologadas onde os conflitos continuam, se consolidam e se cristalizam", conta Feitosa. "Uiramutã será um enclave no coração da reserva. A exceção pode alimentar os conflitos entre índios e não-índios que ali habitam".
A principal fonte de sustento das comunidades da Raposa é a agricultura. A pecuária e a piscicultura também são atividades importantes para os índios, que também buscam parcerias de institutos e organizações da área agrícola e florestal.
O coordenador do CIR, Marinaldo Trajano, conta que há possibilidade dos índios continuarem a produzir arroz nas fazendas que serão indenizadas. "Existe possibilidade dos indígenas produzirem arroz. Algumas comunidades já fazem isso com sucesso. Já estamos trabalhando para o desenvolvimento da Raposa/Serra do Sol. A homologação vai fortalecer e reanimar as comunidades no trabalho para o seu desenvolvimento. Roraima não perde pedaço de terra, seremos parte do desenvolvimento do Estado", frisou.
Outra entidade que também se manifestou preocupada com a questão da violência foi a Diocese de Roraima. O representante da entidade padre Edson Damian afirmou que ficou contente com a homologação. "A maior parte da terra será agora propriedade definitiva dos povos indígenas que lá residem. Não acreditamos em violência, pois a homologação está ocorrendo de acordo com a lei. Da parte dos povos indígenas e das entidades que os apóiam não haverá provocação nem incitação à violência. Se vier, será da parte dos que são contra a demarcação. Não temos medo de violência e nem aceitaremos provocação", disse

As notícias aqui publicadas são pesquisadas diariamente em diferentes fontes e transcritas tal qual apresentadas em seu canal de origem. O Instituto Socioambiental não se responsabiliza pelas opiniões ou erros publicados nestes textos. Caso você encontre alguma inconsistência nas notícias, por favor, entre em contato diretamente com a fonte.