OESP, Geral, p. A12
28 de Jan de 2004
Cientistas alteram sêmen geneticamente
Projeto para produzir peixe transgênico pode beneficiar pesquisas de fertilidade humana
Tim Radford
The Guardian
Pela primeira vez, cientistas americanos e japoneses conseguiram modificar espermatozóides geneticamente e usá-los para produzir um animal transgênico. A técnica poderia, a longo prazo, beneficiar pesquisas de fertilidade humana e sugerir novas maneiras de superar distúrbios genéticos. Até o momento, no entanto, funciona apenas para o zebrafish - um popular peixe de aquário, conhecido no Brasil como paulistinha.
O zebrafish se tornou a cobaia favorita dos laboratórios porque seus embriões são transparentes. Os geneticistas podem ver os genes funcionando no peixe em desenvolvimento. Shawn Burgess, do Instituto Nacional de Pesquisa do Genoma Humano nos EUA, e colegas da Universidade Municipal de Fukui, em Obama, Japão, desenvolveram técnicas para fazer exemplares de zebrafish geneticamente modificados por meio de espermatozóides cultivados in vitro. Os resultados foram relatados na revista PNAS, da Academia Nacional de Ciências dos Estados Unidos.
"Que nós saibamos, esta é a primeira vez que células de esperma foram inteiramente cultivadas in vitro e usadas para produzir um animal transgênico", disse Burgess.
Eric Green, diretor científico do instituto, disse: "Este é um exemplo fora de série de nossos esforços para melhorar os fundamentos deixados pelo projeto do genoma humano. O desenvolvimento dessas novas tecnologias e métodos será essencial para transformar nosso conhecimento cada vez maior da base genética da doença em melhores diagnósticos e opções terapêuticas."
Grande parte das modificações genéticas começa com o ovo fertilizado: a fusão de duas linhas hereditárias. Mas muitas doenças hereditárias são passadas por apenas uma linha de parentesco. Pesquisadores vinham tentando modificar geneticamente células de esperma antes de permitir que a fertilização se consumasse, mas sem sucesso, porque elas não se desenvolvem em laboratório.
A estratégia da equipe era modificar geneticamente o esperma e, então, usá-lo para fertilizar o ovo. Os cientistas descobriram uma maneira de manter espermatozóides imaturos - espermatogônias - de zebrafish em cultura por tempo suficiente para incorporarem genes externos, introduzidos por um retrovírus. Eles usaram o gene LacZ, que funciona como um marcador.
Depois que as células de esperma amadurecem, podem ser usadas em fertilização in vitro, como já é feito há décadas na reprodução humana.
Em teoria, a pesquisa ofereceria uma maneira de eliminar doenças genéticas, por meio da substituição de um gene "danificado" por outra cópia, que funciona corretamente. Na prática, é provável que aumente a produção de animais modificados para pesquisas sobre doenças humanas.
O zebrafish também ficou famoso recentemente como o primeiro animal de estimação transgênico do mercado. Ele recebeu o gene de um coral, que o faz brilhar no escuro.
OESP, 28/01/2004, Geral, p. A12
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