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Cidades banhadas pelo lago de Furnas vivem dificuldades

OESP, Economia, p. B4
07 de Jan de 2014

Cidades banhadas pelo lago de Furnas vivem dificuldades
Pescadores estão entre os mais afetados pela baixa do reservatório; retorno ao nível padrão deve levar dois anos

Renê Moreira
ESPECIAL PARA O ESTADO
COQUEIRAL, MG

O lago de Furnas, espécie de coração da chamada caixa d'água do Brasil, vive uma situação preocupante, que prejudica os moradores das mais de 50 cidades que dependem direta ou indiretamente de suas águas.
Após a baixa recorde de mais de 11metrosnoiníciodoanopassado, até hoje o lago não recuperou o seu nível padrão.
"Mesmo que o lago se recupere bem, se nada for feito agora para preservar o nível das águas, talvez ele nunca volte a ser como antes", prevê o prefeito de Coqueiral (MG), Arnaldo Lemos Figueiredo.
Ele preside a Associação dos Municípios do Lago de Furnas (Alago),que engloba 52 cidades que são banhadas pelo lado ou cuja economia dependem dele.
Segundo Figueiredo, pescadores, donos de pousadas e de restaurantes têm enfrentado queda na produção ou no movimento por causa da baixa quantidade de chuvas que persiste há quase dois anos na região.
Em um ano, pelas estimativas da Alago, as cidades da região perderam R$ 100 milhões com a baixa persistente do lago.
Estudos encomendados pela entidade indicam que, na melhor das hipóteses, o nível da represa deve demorar pelo menos dois anos para chegar a um nível razoável, que lembre os velhos tempos.
Para amenizar as dificuldades entre os pequenos e médios empresários, que dependem da produção de peixes, da pesca e, principalmente, dos turistas que buscam as prainhas e os passeios de lanchas, a Alago reivindica, como governo federal, medidas que possam reduzir o uso da água para que o lago possa se recuperar.
"Em março estaremos no Ministério de Minas e Energia cobrando providências", diz Figueiredo.
Furnas é a mais importante dentro do complexo de usinas instaladas no Rio Grande. Sozinha, responde por quase18%da geração hidrelétrica do sistema que compreende as regiões Sudeste e Centro-Oeste. Segundo dados do Operadora Nacional do Sistema, o nível de água armazenada na barragem capaz de se transformar em energia elétrica está em 49,64%.
Outras usinas na região, igualmente importantes, estão com níveis mais baixos. No rio Paranaíba, Emborcação, que responde por 10% da geração da região, está com 38,66% da capacidade e Ponte Nova, responsável por 11% da geração, opera com 36.15% da capacidade.

OESP, 07/01/2014, Economia, p. B4

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