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Cidade de maioria indígena obtém aval para não votar

Bem Paraná https://www.bemparana.com.br/
01 de Jul de 2018

Não é todo o México que vai às urnas neste domingo (1). O município de Cherán foi o primeiro a se rebelar contra a democracia tradicional do país e, desde 2011, se declarou uma entidade autônoma, escolhendo seus próprios líderes, de forma independente do calendário oficial. Agora, outros municípios do sul do país querem fazer o mesmo.

A Constituição permite que isso ocorra, mas apenas em comunidades predominantemente indígenas --para isso algumas regras têm de ser seguidas.

A população de Cherán, no Estado de Michoacán, tem 20 mil habitantes, a maioria da etnia purepecha. Há sete anos, cansados de sofrer, por um lado, as extorsões dos cartéis, e por outro, o avanço do Exército e das "autodefensas" (milícias civis) em suas terras, transformando-as em campo de batalha contra o crime organizado, expulsou todas essas forças, a princípio com um levante armado encabeçado por mulheres, com as caras cobertas por lenços brancos.

A população local levou, então, à Suprema Corte do México o pedido de autonomia baseado na origem indígena da maioria da população e conseguiu passar a ser uma entidade autônoma.

Além do cansaço com relação ao avanço da violência, os indígenas reclamavam de que a guerra entre cartéis, Exército e as "autodefensas" estava diminuindo as áreas de bosques e terras já demarcadas como pertencentes à comunidade.

De posse da autorização judicial, em 15 de abril de 2011, os habitantes conseguiram a ordem para expulsar de seu território quem não fosse de ascendência indígena.

Em troca, tiveram que cumprir alguns requisitos, como eleger um conselho formado por doze integrantes da tribo e que controla a administração local, a segurança e a Justiça e tem um mandato definido.

Cherán vive da agricultura de subsistência e da criação de gado, além de possuir um imenso bosque, que chegou a ter 17 mil hectares (agora tem 8.000). Sua reclamação principal, antes do pedido de autonomia, era de que os cartéis locais, além de trazer violência, tentavam o recrutamento forçado dos indígenas e cobravam extorsão por suas atividades.

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