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Chuva 'irregular' complica setor elétrico

OESP, Economia, p. B4
04 de Jan de 2013

Chuva 'irregular' complica setor elétrico
Previsão de meteorologistas para janeiro é de que chuvas sejam insuficientes para melhorar o nível dos principais reservatórios do País

RENÉE PEREIRA

As previsões de chuvas para os meses de janeiro e fevereiro não são muito positivas para o setor elétrico brasileiro. Segundo dados da Climatempo, nas regiões Sudeste, Centro-Oeste e Nordeste as chuvas continuarão sendo irregulares e insuficientes para a recuperação adequada dos reservatórios, que estão em níveis bastante reduzidos.
As represas do Nordeste estão com 31,9% de armazenamento e as dos Sudeste/Centro-Oeste, com 28,9%.
O meteorologista da Climatempo Alexandre Nascimento explica que o principal problema é que as pancadas mais fortes de chuva têm ocorrido em pontos pequenos. É o caso, por exemplo, da Baixada Fluminense, região castigada pelas tempestades e alagamentos. "Se você verificar uns 30 a 40 quilômetros dali, não tem chovido na mesma proporção", diz ele. "É mais ou menos isso que esperamos para o mês de janeiro. As chuvas intensas serão mais irregulares."
De acordo com as previsões da Climatempo, há possibilidade de chuvas até o dia 10. Depois disso, deve haver um período mais seco e quente que vai durar até o fim do mês, quando retorna o período úmido. Nascimento explica que, para recuperar os reservatórios de forma satisfatória, seria necessário cair água durante vários dias nas principais bacias do Sudeste/Centro-Oeste, responsáveis por 70% de todo o armazenamento do País.
Isso significa que teria de chover no Triângulo Mineiro, Sul de Minas, interior de São Paulo e algumas áreas de Goiás. São nesses locais que estão localizados os maiores reservatórios do País, nos rios Grande e Parnaíba.
A Hidrelétrica de Furnas, que tem uma das maiores represas do País, está com 12,58% de armazenamento de água. Já Itumbiara, outra importante usina da região, está com 9,77%.
"Estamos no meio da estação chuvosa e os reservatórios estão extremamente baixos. Para reverter essa situação, teria de chover o dobro da média em janeiro, fevereiro e março. Ou seja, 1.200 milímetros", diz Nascimento.
Ele pondera, entretanto, que prever quantidade de chuva é um dos cálculos mais complicados de se fazer. "De qualquer forma, a previsão de agora é esta."
Para o especialista em energia Roberto D'Araujo, para conseguir suportar o consumo do ano inteiro, os reservatórios do Sudeste/Centro-Oeste teriam de chegar a maio com 44% de armazenamento. "Isso para passar raspando no risco."
D'Araujo, que já fez parte da equipe da Eletrobrás, defende a construção de mais usinas no País para evitar esse tipo de situação. Segundo ele, as térmicas que hoje estão sendo usadas só funcionam em alguns períodos, quando os reservatórios já estão num nível bastante reduzido.
Desde outubro, todas as térmicas estão em operação. Algumas, no entanto, não conseguem gerar o programado pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS). No Nordeste, as térmicas produziram 500 megawatts (MW) médios menos do que o previsto no dia 2. No Sudeste/Centro-Oeste, foram 200 MW médios. Para complementar a geração, as duas regiões receberam ajuda. O Nordeste teve 1.101 MW do Norte e o Sudeste/Centro-Oeste, 2.417 MW do Sul.

OESP, 04/01/2013, Economia, p. B4

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