OESP, Metrópole, p. C9
23 de Set de 2009
Chuva dificulta adesão em SP
Transporte coletivo não registrou alteração no número de usuários no Dia Mundial Sem Carro
Renato Machado, Diego Zanchetta e Tiago Queiroz
A chuva que caiu ontem em São Paulo atrapalhou os planos de quem pretendia seguir para compromissos a pé, de bicicleta ou de transporte público. Mas, mesmo sem colocar à disposição mais ônibus ou trens para a população, o dia foi de poucas interferências no trânsito e por isso os índices de lentidão estiveram abaixo dos do mesmo dia da semana passada e da média das terças deste mês. A média ontem foi de 57 km, ante 71 da semana passada (também chuvoso).
A Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) registrou 10 ocorrências até as 19 horas - a média diária é de cerca de 30. Apenas três caminhões quebraram. Prova de que a melhora não é reflexo de menos carros circulando é que o transporte público não registrou variação no número de usuários. O Metrô vai concluir hoje um balanço, mas adianta que praticamente não houve alteração .
ONGs reconheceram que a chuva atrapalhou maior adesão ao Dia Mundial Sem Carro. "Com chuva tudo piora em São Paulo", brinca o coordenador executivo do Movimento Nossa São Paulo, Mauricio Broinizi. "Mas não é nosso objetivo fazer todo mundo deixar o carro em casa. A ideia é provocar discussão e elaborar propostas para o transporte público."
A chuva atrapalhou até quem tem comportamento exemplar. Aposentada Lucy Di Cunto vai todos os dias buscar a neta no colégio a pé, na região dos Jardins, mas ontem precisou ir de carro. "Caminho todos os dias porque é mais saudável e para melhorar a situação do trânsito. O dia em que precisei falhar é justamente o Dia Sem Carro. Mas o que vale é o dia a dia".
Mais do que se abster por um dia, o educador José Roberto Bueno, de 49 anos, optou por viver um "setembro sem carro". No fim de agosto, ele estava parado no congestionamento, quando decidiu mudar. "Percebi que não era vítima do trânsito e sim um agente". Desde então, só usa transporte coletivo, comprou uma bicicleta e descreve as experiências num blog. Desde o dia 1o, só utilizou o carro uma vez, para ir ao Rio. "Quando o mês acabar, não vou deixar de vez o carro. Mas quero reduzir o uso a um décimo de antes."
Fora do horário do rush, por volta das 9h45, o prefeito Gilberto Kassab (DEM) tomou um ônibus em Pinheiros, zona oeste, para ir à Prefeitura, no centro. O coletivo tinha apenas 17 passageiros, quando entraram o prefeito e uma equipe de 30 pessoas, entre assessores, secretários e jornalistas. Em 40 minutos, o coletivo não enfrentou congestionamentos para chegar à Rua Major Quedinho, perto do Bar do Estadão, onde o prefeito tomou café da manhã.
No coletivo, Kassab foi orientado pelo cobrador a colocar o bilhete único no sensor da catraca. Ele sentou-se ao lado do motorista Walter Luciano, de 39 anos, que havia deixado o carro em casa, também em adesão ao Dia Sem Carro. Morador na região da Estrada de Itapecerica, zona sul, o motorista afirmou que a linha costuma ser mais lotada no início da manhã e no final da tarde. Durante o caminho, Kassab ouviu só uma crítica, de uma mulher que pediu "mais ônibus".
Rio testa a Avenida Rio Branco como parque
Alfredo Junqueira, Rio
Ao impedir o estacionamento de veículos em algumas das principais ruas do centro do Rio, como parte do Dia Mundial Sem Carro, a prefeitura afirma ter iniciado os testes para o polêmico projeto de fechar a Avenida Rio Branco para o tráfego e transformá-la num parque urbano. De acordo com o vice-prefeito e secretário municipal de Meio Ambiente, Carlos Alberto Muniz, novos testes serão feitos nos próximos 15 dias.
Ontem, 510 vagas para carros foram fechadas na região, que tem oferta regular de 6 mil. A Secretaria de Ordem Pública rebocou 91 veículos até o início da noite e aplicou 190 multas.
Elaborado pela Secretaria Municipal de Urbanismo, o projeto apelidado de Rio Verde tem como objetivo transformar a Rio Branco, no trecho entre a Candelária e a Cinelândia, num parque com calçadão, quiosques e chafarizes. Os estudos para a realização da iniciativa só deverão ser concluídos em dezembro. A previsão é que as obras e mudanças necessárias no fluxo de veículos terminem no fim de 2012.
Dados das concessionárias que exploram os serviços de trem e metrô no Estado mostram que não houve aumento significativo no uso desses transportes ontem. Principal entusiasta do movimento, o prefeito Eduardo Paes (PMDB) acordou cedo para ir de bicicleta da Gávea Pequena, sua residência oficial, ao Palácio da Cidade, sede da Prefeitura, em Botafogo, na zona sul. Ele partiu às 5h39 e pedalou por aproximadamente 15 km em 1h25. Num trecho de 4 km de subida, Paes usou uma bicicleta elétrica. "A ladeira ali é impossível de subir. Tem de estar muito em forma."
OESP, 23/09/2009, Metrópole, p. C9
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