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China terá metas atreladas ao PIB

OESP, Vida, p. A22
27 de Nov de 2009

China terá metas atreladas ao PIB
Governo quer redução de 40% a 45% de emissões de CO2 na área energética, sem prejuízo ao crescimento do país

Cláudia Trevisan, Correspondente, Pequim

A China anunciou ontem uma proposta de reduzir em 40% a 45% o crescimento de suas emissões de gases do efeito estufa provenientes do setor energético, atrelada ao aumento de seu Produto Interno Bruto (PIB). O plano é continuar crescendo economicamente, porém com maior eficiência energética - ou seja, emitindo menos gás carbônico para gerar a energia necessária a esse desenvolvimento.

Hoje, a matriz energética chinesa é uma das mais sujas do mundo, muito dependente da queima de carvão, um combustível altamente poluente. Além disso, a infraestrutura das termoelétricas é ultrapassada, o que piora ainda mais o problema. Comparada à de países desenvolvidos, a eficiência energética da China é baixa, o que significa que a nação consome mais energia para gerar o mesmo US$ 1 de PIB. Ou seja, há gordura para cortar.

A nova meta climática entra nessa gordura. Qualquer redução significativa nas emissões chinesas precisa passar, obrigatoriamente, por uma "limpeza" e otimização dessa matriz energética. O setor é o que mais lança gases do efeito estufa na atmosfera - e que está diretamente relacionado ao crescimento do PIB, já que para crescer economicamente é preciso produzir mais energia. Um quadro diferente do Brasil, onde a maior parte das emissões vem do desmatamento ilegal da Amazônia e tem pouca influência sobre o PIB do País.

O compromisso de Pequim foi anunciado um dia após os Estados Unidos apresentarem uma meta de redução de emissões de 17% até 2020. Responsáveis por 40% das emissões globais de gases-estufa, China e EUA são considerados fundamentais para o sucesso das negociações na Conferência do Clima da ONU, em Copenhague, que começa no dia 7.

A meta é voluntária e leva em conta as emissões que existiam em 2005 no país. A previsão dos chineses é de que seja alcançada em 2020. O compromisso não significa que a quantidade de gases vai diminuir, mas que seu ritmo de aumento será menor. Isso porque a meta de redução das emissões de carbono é inferior ao crescimento esperado do PIB. O porcentual máximo de 45% equivale a uma média anual de corte de 3%. A expansão do PIB chinês deve ficar em torno de 8% ao ano.

Os cientistas mais otimistas creem que as emissões chinesas atingirão seu ponto máximo em 2030; depois, começariam a cair. Outros afirmam que a redução só ocorrerá após 2040.

A decisão foi adotada em reunião do Conselho de Estado realizada anteontem, sob comando do primeiro-ministro, Wen Jiabao. "É uma ação voluntária do governo chinês, baseada nas suas próprias condições nacionais, e é uma grande contribuição para o esforço global de enfrentamento da mudança climática", diz a nota oficial.

Jiabao também anunciou que irá a Copenhague - um dia depois de Obama anunciar que fará o mesmo. Anteontem, o representante chinês para questões climáticas, Yu Qingtai, declarou que Pequim não aceitará uma declaração política vazia como resultado da conferência e buscará um pacto com conteúdo substantivo.

"É um compromisso impressionante, sério e muito positivo", disse ao Estado a diretora para a China do Climate Group, Wu Changhua. Ela crê que a COP-15 ganhou novo impulso. "Todos os grandes números estão na mesa."

OESP, 27/11/2009, Vida, p. A22

Ausência de presidentes em Manaus constrange Lula
Apenas 1 dos 8 chefes de Estado da região esteve na reunião sobre ambiente; presidente francês compareceu

Manaus

A ausência de sete dos oito presidentes amazônicos convidados para o encontro de Manaus irritou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Na opinião do governo, a atitude revela o interesse nulo que há na região pelo tema das mudanças climáticas.
O documento assinado no fim da reunião, à qual compareceram apenas Bharrat Jagdeo, da Guiana, e o francês Nicolas Sarkozy, representando a Guiana Francesa, mantém um discurso comum entre os países que têm florestas: nós protegemos, vocês pagam. Na carta, os nove se comprometem com um "crescimento econômico sustentável, inclusão social e sustentabilidade climática", mas cobram "financiamento adequado e previsível".

"O documento que assinamos hoje tem a mesma validade que teria se estivessem presentes todos os presidentes", afirmou Lula. "Ele vai balizar o comportamento dos chefes de Estado da América do Sul em Copenhague, sem que nenhum presidente abra mão da soberania do seu Estado." Lula também disse que "a hora é de responsabilidade coletiva, que estamos assumindo. A negociação do clima é como a muralha da China. É longa, é cansativa, mas alguém teve de colocar a primeira pedra."

O presidente francês explicou que propôs que 20% dos recursos do fundo de financiamento da União Europeia que deverá ser criado durante a COP-15 financie ações contra o desmatamento e disse que pretende pressionar a UE para apresentar em Copenhague a meta de 30% de redução de emissões em relação a 1990, e não de 20%.

Mas a ausência da maioria deixou Lula em situação constrangedora. Pessoalmente interessado em levar a voz da Amazônia a Copenhague, ele se empenhou em convidar pessoalmente os colegas e, na abertura da reunião da tarde, teve de explicar a ausência dos demais.

A desculpa do presidente Álvaro Uribe (Colômbia) foi um machucado na perna, resultado de uma queda de um cavalo. Hugo Chávez (Venezuela) alegou que o presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, teria estendido sua visita ao país - na verdade ele foi embora na manhã de ontem - e que o presidente da Autoridade Nacional Palestina, Mahmoud Abbas, chegaria durante a tarde. Evo Morales (Bolívia) disse não querer se ausentar por conta das eleições; Rafael Correa (Equador) está na Bélgica; Alan García (Peru) e Ronald Venetiaan (Suriname) alegaram problemas de agenda. Ao final, até a foto oficial foi cancelada.

Lisandra Paraguassú e Denise Chrispim Marin, Enviadas especiais

OESP, 27/11/2009, Vida, p. A22

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