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China apresenta meta para cortar emissões de gases

Valor Econômico, Internacional, p. A9
Autor: CHIARETTI, Daniela
01 de Jul de 2015

China apresenta meta para cortar emissões de gases

A China, maior emissor de gases-estufa do mundo, divulgou ontem sua contribuição para o acordo climático global que, espera-se, seja assinado em Paris, em dezembro. O compromisso é de reduzir entre 60% e 65% as emissões por unidade de PIB em 2030 em relação a 2005 e atingir o pico das emissões até 2030, no máximo. Embora ambiciosa, ambientalistas consideram que a China poderia fazer mais.
O anúncio foi feito ontem, em Paris, pelo premiê Li Keqiang em visita de três dias à França. A meta chinesa - a INDC, no jargão das Nações Unidas- é a mais aguardada entre as 42 já divulgadas (considerando-se os 28 países da União Europeia, que fizeram sua contribuição em bloco).
A meta projeta que o percentual de renováveis na matriz energética chinesa cresça 20% e o estoque florestal aumente 4,5 bilhões de metros cúbicos, em 2030, em relação a 2005. "A China sempre esteve na defesa quando o assunto é mudança do clima, mas o anúncio de ontem representa o primeiro degrau para um papel mais ativo. Para o sucesso de Paris, contudo, todos os atores, incluindo a China e a União Europeia, precisam fazer mais", disse Li Shuo, analista climático do Greenpeace China.
"O compromisso chinês precisa ser visto como um ponto de partida para uma ação muito mais ambiciosa", prosseguiu o ambientalista. "Não reflete a transição energética que já está ocorrendo na China. Com a queda dramática no consumo de carvão, a alavancada robusta das energias renováveis e a necessidade urgente de se tomar medidas contra a poluição do ar, o país pode ir bem além do que propôs agora", disse Li Shuo.
"A China está dizendo, com sua meta, que irá crescer, admite que suas emissões irão subir, mas menos que o crescimento econômico", explica Andre Ferreira, diretor-presidente do Instituto de Energia e Meio Ambiente (IEMA), decifrando o que significa uma redução de emissões por unidade de PIB, como adotado pelos chineses. "A meta descola o crescimento do país, que ainda tem muita miséria, das emissões de CO2 ", continua.
"É um grande passo adiante", comemorou Mohamed Adow, conselheiro para mudança climática da ONG Christian Aid.

Valor Econômico, 01/07/2015, Internacional, p. A9

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