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Chesf vê risco nas mudanças em Jirau

OESP, Economia, p. B12
06 de Jun de 2008

Chesf vê risco nas mudanças em Jirau
Executivo reconhece que novo projeto pode atrasar construção

Kelly Lima
Rio

O novo projeto para a construção da usina hidrelétrica de Jirau, no Complexo do Rio Madeira, pode conter um risco geológico capaz de elevar os custos e até o prazo para a realização da obra. A informação foi dada ontem pelo diretor de engenharia da Chesf, José Ailton de Lima.
Juntamente com o Grupo Suez, Eletrosul, e a construtora Camargo Corrêa, a Chesf integra o consórcio Energia Sustentável, que venceu a licitação para a construção da usina. Após vencer o leilão, o consórcio apresentou projeto alterando a localização da hidrelétrica em nove quilômetros, o que reduziu seu custo em R$ 1 bilhão.
"Nós assumimos esse risco", disse, explicando que não houve tempo para sondagem geológica antes da apresentação do projeto. "Se, quando fizermos a sondagem, sair como esperávamos, teremos redução do custo. Mas, se houver uma falha geológica, paciência, é um risco", disse o diretor, descartando qualquer alteração no valor proposto para a tarifa, caso os estudos geológicos não fiquem dentro do esperado.
"Não importa o que acontecer, o que foi proposto no leilão será mantido", disse, evitando qualquer comentário sobre a possibilidade de o novo projeto ser vetado pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) ou pelo o Ibama. O consórcio venceu o leilão apresentando a proposta de tarifa de R$ 71,60 por MW/hora.
O diretor ressaltou, ainda, que não vê possibilidade de problemas com o Ibama, visto que o local escolhido para o novo projeto estava na área autorizada pelo órgão para a construção da hidrelétrica na emissão da licença prévia. Por isso, Lima acredita que poderá ser mantido o prazo previsto para emissão da licença de instalação, em dezembro deste ano.
"É claro que não sou eu quem decide isso. Mas nossa parte estamos fazendo, entregando todos os documentos para a Aneel e o Ibama até o fim do mês", afirmou.
Segundo ele, a idéia é obter a licença para a instalação do canteiro de obras em agosto, para que a usina comece a ser construída em abril de 2009 e possa iniciar as operações em março de 2012. Sobre as críticas dos consórcios perdedores do leilão sobre a mudança no projeto, Lima disse que não é hora para isso. "O momento da disputa foi durante o leilão e agora é hora de unir esforços para trabalhar em parceria para viabilização das duas usinas, Jirau e Santo Antônio (a outra usina do Complexo do Rio Madeira)", observou.
O consórcio perdedor no leilão (Odebrecht e Furnas, responsável pela construção da Usina de Santo Antônio) ameaça ir à Justiça porque a alteração no projeto de Jirau poderia comprometer o cronograma de suas obras. "Ir à Justiça agora, brigar por isso agora é dar tiro no próprio pé", argumentou Lima.

OESP, 06/06/2008, Economia, p. B12

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