GM, Energia, p. A8
21 de Jun de 2004
Chesf retoma projetos de expansão
Estatal realiza estudos de viabilidade para oito novas usinas hidrelétricas na região Nordeste. Dez anos depois da inauguração de Xingó, sua última grande usina a entrar em operação, com 3,1 mil megawatts (MW) de potência instalada, a Chesf retoma seus projetos de construir novas unidades. A estatal, maior geradora hidrelétrica do País (10,7 mil MW) está fazendo estudos de viabilidade de oito usinas, que poderão, em conjunto, aumentar o potencial de geração de energia elétrica no Nordeste em 1,4 mil MW. Usinas com grande potencial isolado de geração já não são mais possíveis na região.
A maior usina entre os projetos em estudo pela Chesf é a de Pedra Branca, que fica entre as hidrelétricas de Sobradinho e Itaparica, na Bahia, e teria potência instalada de 320 MW, com energia firme de 192 MW médios. Segundo o superintendente de projetos e construção de geração da Chesf, Edgar Félix, apenas uma das usinas que vem tendo a construção analisada pela estatal, a de Pão de Açúcar, ainda não tem o inventário aprovado pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). O inventário é a primeira etapa para a construção de uma usina.
Pesquisas em parceria
De acordo com Félix, os estudos de viabilidade dos novos projetos estão sendo feito em parceria com as construtoras Norberto Odebrecht (Pão de Açúcar), Desenvix (Pedra Branca e Riacho Seco) e Queiroz Galvão e CNEC (Ribeiro Gonçalves, Uruçuí, Cachoeira, Estreito e Castelhano). A previsão de conclusão dos estudos é de 12 meses para o da usina de Pão de Açúcar, a contar depois da aprovação do inventário pela Aneel, e de 18 meses para as outros unidades. O custo apenas dos estudos de viabilidade, divididos entre todas as empresas envolvidas, é de R$ 26 milhões.
Segundo o executivo, nos estudos de campo serão colhidas informações detalhadas sobre potenciais energéticos e de mercado, os aspectos geológicos de cada local indicado para a construção das usinas e as condições de integração e de conexão à rede, além dos impactos ambientais e nas comunidades que ficam nas áreas dos reservatórios das usinas. "Serão feitos estudos técnicos, econômicos e ambientais sobre a viabilidade apontada nos inventários, que indicaram os melhores locais para os aproveitamentos energéticos", diz Félix. Segundo ele, em apenas uma das usinas em estudo, na bacia do Rio Parnaíba, está prevista inundação de área urbana.
Pelas regras definidas no novo modelo do setor elétrico, se forem aprovados os estudos de viabilidade das oito usinas em prospeção pela Chesf, não há garantias de que a construção das unidades fique com a estatal, que é a responsável pela região Nordeste dentro da holding Eletrobrás. Félix afirma que a Chesf vai ter de disputar os leilões de geração do Ministério de Minas e Energia com outras empresas estatais e privadas. "Nós estamos fazendo os estudos de viabilidade, mas, caso os projetos sejam aprovados e entrem nos lei-lões de energia nova, teremos que participar da disputa como as outras empresas", diz.
O superintendente afirma ainda que a tendência, caso a Chesf venha a construir as usinas, é que o empreendimento seja feito por meio de sociedades de propósito específico (SPEs), como as que foram criadas no ano passado para a participação das estatais no leilão de linhas de transmissão. "Esta é uma tendência muito forte", disse ele. Nas SPEs, as estatais têm participação minoritária.
Fôlego para investimentos
De acordo com o executivo, os inventários sobre novas usinas na região Nordeste vêm sendo feitos pela Chesf há cerca de dois anos. Para ele, os estudos de viabilidade representam a retomada da empresa na expansão da geração. Durante o governo de Fernando Henrique Cardoso, as estatais de energia foram colocadas no Programa Nacional de Desestatização (PND). Durante muito tempo foram discutidas as privatizações das grandes empresas da Eletrobrás, que controlam a geração hidrelétrica no País. O governo chegou a cogitar iniciar o processo de privatização de Furnas em mais de uma ocasião. Mas as empresas que foram repassadas à iniciativa privada foram as de distribuição, em sua maior parte, e apenas algumas empresas da área de geração, como a Gerasul, no Sul, e boa parte das estatais estaduais de São Paulo.
Com a retirada das estatais de geração de energia do PND, feita pelo presidente Lula no ano passado, as empresas da Eletrobrás mostraram fôlego na retomada de investimentos, como no leilão de linhas de transmissão feito no ano passado. O Ministério de Minas e Energia tem dado sinais de que a holding deve voltar a atuar na expansão de geração de energia.
Segundo Félix, é bem provável que após a conclusão dos estudos de viabilidade das oito usinas, quando os detalhes técnicos e econômicos estiverem definidos, o custo estimado durante a fase de inventário (US$ 1,8 bilhão) seja reduzido. "É comum a previsão de custo diminuir com os levantamentos feitos pelos estudos", diz.
GM, 21/06/2004, Energia, p. A8
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