O Globo, Ciência, p. 29
04 de Out de 2013
Cheiro das flores muda com a poluição
Queima de diesel atrapalha abelhas e coloca em risco a polinização de plantas.
A queima de diesel lança na atmosfera substâncias que afetam a capacidade das abelhas reconhecerem o cheiro das flores, atrapalhando o trabalho de polinização feito pelo inseto que é fundamental para a agricultura mundial, o que, em consequência, coloca em risco a segurança alimentar do planeta.
Em uma experiência, pesquisadores da Universidade de Southampton, no Reino Unido, misturaram oito compostos normalmente encontrados no odor exalado por plantas da família que produz o óleo de canola com ar limpo e ar contaminado com a exaustão de veículos movidos a diesel. Eles verificaram que no primeiro caso nada aconteceu, mas no segundo dois dos compostos desapareceram por completo em menos de um minuto.
Os cientistas então procuraram descobrir quais poluentes do diesel tinham reagido com o cheiro das flores. Repetindo o processo apenas com os chamados gases NOx (óxido nitroso e dióxido de nitrogênio), eles observaram o mesmo desaparecimento dos dois compostos do odor da planta. Por fim, os pesquisadores apresentaram a mistura alterada às abelhas, que não conseguiram reconhecer o cheiro devido à mudança em seu perfil químico. Diante disso, eles acreditam que a poluição dificulta a vida das abelhas, que usam o cheiro das flores para localizar as plantas de onde extraem o néctar.
- As abelhas têm um olfato sensível e uma excepcional capacidade de memorizar novos odores - explicou Tracey Newman, coordenadora da experiência, cujos resultados foram publicados na edição de ontem do periódico "Scientific Reports". - Mas os gases NOx representam alguns dos mais reativos produzidos a partir da queima de diesel e de outros combustíveis fósseis. Nossos resultados sugerem que esta poluição altera os componentes do odor floral, afetando o reconhecimento da planta pelas abelhas.
Mas a poluição atmosférica não é a única a tornar a vida das abelhas mais difícil. Outro estudo, da Universidade da Califórnia, demonstrou que o acúmulo de selênio nas plantas de onde elas tiram o néctar pode perturbar a capacidade de polinização destes insetos e encurtar suas vidas. Fundamental para o desenvolvimento de insetos e humanos, o selênio torna-se tóxico a partir de concentrações pouco maiores que as naturais, às quais as abelhas não estão preparadas para evitar.
O Globo, 04/10/2013, Ciência, p. 29
http://oglobo.globo.com/ciencia/poluentes-do-diesel-atrapalham-abelhas-…
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