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Censo marinho revela 78 peixes desconhecidos

O Globo, Ciência e Vida, p. 40
15 de dez de 2005

Censo marinho revela 78 peixes desconhecidos

O Censo da Vida Marinha, um amplo estudo mundial que reuniu cientistas de 73 países, apontou a descoberta de 78 novas espécies de peixes em 2005, além de uma grande variedade de criaturas até então desconhecidas e bastante bizarras, como uma água-viva em forma de foguete com mais de três metros de comprimento e uma pequenina esponja carnívora.
Mas o estudo está ajudando os especialistas também a descobrir os mistérios das rotas migratórias dos peixes do Oceano Pacífico. Milhares de salmões, atuns e outras espécies que receberam implantes eletrônicos para monitoramento forneceram pistas sobre como recompor os estoques pesqueiros cada vez menores e mais ameaçados.
O projeto foi chamado de Peixe com Chips — uma alusão aos implantes eletrônicos recebidos pelos animais e uma brincadeira com o prato mais popular da Grã-Bretanha, peixe com fritas (também chips em inglês). Os implantes permitem o rastreamento por satélite e por estações submarinas dos peixes e vêm sendo apontados como um grande passo para a compreensão dos padrões migratórios.
Atum nadou 40 mil quilômetros em 600 dias
O rastreamento revelou, por exemplo, que um atum cruzou o Pacífico três vezes em 600 dias — um percurso de nada menos que 40 mil quilômetros, o suficiente para dar a volta ao mundo. O dado indica que os estoques de atum dos Estados Unidos e do Japão são, na verdade, o mesmo.
— Nosso estudo mostra que os oceanos formam um sistema muito mais complexo do que imaginávamos — disse Fred Gassle, coordenador do censo.
Este ano, nada menos que 2.700 salmões foram monitorados (muito mais do que os 1.050 de 2004) para que os especialistas descobrissem que percurso seguem depois de deixar os rios onde nascem.
— Até agora os salmões simplesmente desapareciam na grande caixa preta do oceano — disse David Welch, cientista responsável pelas estações marinhas de monitoramento (espalhadas ao longo de 1.550 quilômetros, de Washington até o Alasca).
Conhecer detalhadamente as rotas migratórias dos salmões é importante para a elaboração de estratégias de preservação da espécie, cujos estoques estão ameaçados. Novos calendários para temporada de pesca, por exemplo, podem ser determinados a partir dessas informações.
— Os estoques de salmão caíram consideravelmente nos últimos tempos e essas informações podem nos ajudar a determinar por que isso ocorreu — disse Welch, lembrando que, até 2010, o monitoramento será feito em toda a costa norte-americana.
Tsunami criou zona morta” no Oceano Índico
Além dos atuns e salmões, outros 1.838 animais — incluindo 21 espécies de tubarões, tartarugas, leões-marinhos, aves marinhas, entre outros — receberam o chip eletrônico e estão sendo monitorados por satélite. O número é mais que o dobro do alcançado em 2004.
O Censo da Vida Marinha é um projeto de dez anos, programado para durar até 2010, que atualmente envolve 1.700 cientistas. O objetivo é mapear a diversidade, distribuição e número dos animais em todos os oceanos.
A descoberta de 78 novas espécies de peixes, das profundezas do Ártico até o Oceano Índico, eleva o total de espécies documentadas pelo censo até hoje para 15.717. Ao todo, o projeto já documentou 40 mil espécies dos mais diversos animais marinhos — de lulas a pepinos-do-mar —, apenas uma fração do total existente, segundo as estimativas dos especialistas.
Os cientistas detectaram também uma zona morta” no epicentro do tremor que gerou a tsunami de 26 de dezembro do ano passado no leito do Oceano Índico. Segundo os cientistas, a ausência de animais de grande porte na área é totalmente sem precedentes.

O Globo, Ciência e Vida, 15/12/2005, p. 40

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