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Censo Escolar avalia língua indígena

Folha de Boa Vista-Boa Vista-RR
Autor: ELCIMAR FREITAS
04 de Mai de 2004

O Censo Escolar, que tem como principal objetivo fornecer informações e estatísticas para a realização de diagnósticos e análises sobre a realidade do sistema educacional no país, estará verificando este ano pela primeira vez o uso da língua indígena nas escolas localizadas nas comunidades indígenas.

Para a diretora do Departamento e Gestão de Ensino Indígena, da Secretaria Estadual de Educação, Natalina da Silva, a inclusão na língua indígena no questionário do Censo Escolar, mostra que a educação indígena avança no país.

Natalina disse que através do levantamento a ser realizado na pesquisa, coordenado pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), o Departamento de Ensino Indígena poderá fazer um diagnóstico melhor da questão lingüística em todo o Estado de Roraima.

"A língua é a identidade de um povo", disse, complementando que se uma etnia não conhece sua própria língua está perdida. Para ela, a inclusão da questão da língua indígena no censo é importante para o Estado que hoje é referência nacional na questão indígena. Segundo ela, somente com a valorização da identidade e conhecendo suas raízes a pessoa pode comprovar realmente o que é.

Natalina da Silva disse que o Estado conta hoje, segundo levantamentos feitos pelo censo no ano passado, com cerca de 10 mil índios estudando nas 256 escolas indígenas em Roraima. A diretora lembrou que, devido às dificuldades na educação indígena, das 256 escolas, apenas em 50 trabalham a língua materna.

Para mudar esse quadro, disse que a Coordenação de Educação Indígena vem desenvolvendo vários projetos, um deles já implantado nas escolas, através da disciplina Tecnologia Indígena.

Através dessa disciplina os índios poderão conhecer a sua realidade, saber como eram construídas suas casas, canoas e outras coisas. "Hoje, com a evolução, tudo mudou. Temos de buscar o passado para preparar o presente e construir o futuro", justifica Natalina, afirmando que muitas pessoas ainda olham a educação indígena com discriminação, pois não admitem que se tem de buscar conhecimentos no passado de uma nação.

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