O Globo, Ciência, p. 26
27 de Out de 2009
Censo dos Oceanos chega ao Atlântico Sul
Brasileiros integram expedição à cordilheira marinha
Renato Grandelle
Começou ontem uma missão científica que, até o início de dezembro, vai fazer um inventário da biodiversidade no Atlântico Sul. O programa, batizado de Censo da Vida Marinha, foi iniciado cinco anos atrás no trecho norte do oceano. A nova expedição completará a viagem sobre uma cordilheira marinha de 14 mil quilômetros - que corta o Atlântico ao meio, dividindo a América da Europa e África. Pesquisadores de oito países, entre eles o Brasil, acreditam que o traçado das montanhas contribuiu para a formação da biodiversidade local. Há, também, a expectativa de que novas espécies sejam catalogadas.
O levantamento será feito no navio oceanográfico russo Akademik Yoffe. A embarcação saiu das Ilhas Canárias, na Espanha, e vai percorrer 4.300 quilômetros até a África do Sul.
- No Atlântico Norte, onde as pesquisas já eram mais avançadas, encontramos dezenas de novas espécies - ressalta José Angel Alvarez Perez, da Universidade do Vale do Itajaí (Univali), em Santa Catarina. - Por falta de infraestrutura dos países costeiros, o Atlântico Sul é muito pouco explorado, o que nos deixa carentes de uma série de informações básicas. Temos mais perguntas para responder nesta expedição do que na realizada no outro trecho do oceano.
O navio russo vai passar por cima da cordilheira, cuja profundidade ultrapassa os três mil metros.
As montanhas surgiram devido às fissuras das placas tectônicas que separavam a América do Norte da Europa e Ásia e a América do Sul da África. As feições assumidas pela cordilheira são vitais na definição de como as espécies do Atlântico definiram seus habitats.
Embora as montanhas se estendam da Islândia à Antártica, a estrutura geológica assume uma nova característica no Atlântico Sul. Além da cadeia principal, há, também, outras perpendiculares, que ligam o centro do oceano à costa de regiões como o Rio Grande do Sul e a África.
- Por ser um oceano mais novo do que os demais, o Atlântico Sul pode ter recebido muito de sua biodiversidade de outros mares. Vamos tentar fazer este mapeamento, mas nossa prioridade é mais simples: coletar as espécies que encontrarmos - explica Angel.
O Globo, 27/10/2009, Ciência, p. 26
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