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Autor: Sandra Tavares
03 de Dez de 2010
Analistas e pesquisadores do Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Mamíferos Carnívoros (Cenap), do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), participaram no dia 25 de novembro do Seminário sobre Ecologia e Conservação de Grandes Felinos no Alto Rio Paraná.
O objetivo do encontro foi apresentar os resultados das pesquisas que vêm sendo desenvolvidas no Alto Paraná com grandes felinos, além de discutir os novos rumos da conservação das espécies. Também foram apresentadas as ações de conservação já implantadas ou em implantação, bem como apresentado o mapa indicando as principais áreas para a conservação da onça pintada na região.
Ao todo as populações de onça se encontram espalhadas por três áreas principais do Alto Paraná: Pontal do Paranapanema, Várzeas do Invinhema e Parque Nacional do Iguaçu, também gerido pelo Instituto Chico Mendes. O evento mostrou o quanto o uso e ocupação desordenada do solo com moradias e atividades agriculturas vêm afetando as populações de onça pintada. As espécies estão ficando isoladas, o que tem comprometido sua sobrevivência e a busca por alimentos.
Segundo o chefe do Cenap/ICMbio, Ronaldo Gonçalves Morato, tal isolamento já está afetando a estrutura genética das populações, principalmente por deriva genética e endocruzamento. "O endocruzamento está relacionado ao cruzamento de parentes da mesma espécie, o que diminui a variabilidade genética. Já na deriva genética, pode haver perda de genes ocasionando também a perda de variabilidade", explica Morato.
Entre as ações de conservação mostradas estão a indicação de áreas prioritárias para conservação. Um dos mapas apresentado, mostrou uma proposta de conectividade de áreas onde estão diferentes unidades de conservação.
"Entre as principais ameaças identificadas na região estão a perda de habitat, provocada pela expansão da agricultura nos últimos 30 anos e por grandes empreendimentos hidrelétricos que isolaram populações inteiras", explicou Morato se referindo à Hidrelétrica de Itaipu.
Outros empreendimentos chegaram a dizimar uma população, a exemplo da Usina Hidrelétrica Porto Primavera. "Sem contar a caça na área onde fica o Parna do Iguaçu", frisou Morato.
As instituições que coordenam as pesquisas ampliaram a parceria com pesquisadores da Argentina, que trabalham no Parque Nacional de Igauzu-Argentina, que forma um grande remanescente florestal junto com o Parque Nacional do Iguaçu, no Paraná.
Do evento saíram um conjunto de informações abertas que ainda devem ser melhor pesquisadas pelas instituições envolvidas, como o estado de conservação das áreas entre as Unidades de Conservação existentes e a possibilidade de se favorecer cada vez mais o trânsito de animais entre essas áreas.
Além do Cenap/ICMBio, a reunião contou com a participação de pesquisadores do Instituto Pró-Carnívoros, do Instituto de Pesquisas Ecológicas, da Secretaria de Maio Ambiente do Estado de São Paulo, da Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb), Universidade Estadual Paulista (Unesp-Jaboticabal) e Companhia Energética de São Paulo.
http://www.icmbio.gov.br/noticias/cenap-participa-de-seminario-sobre-co…
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