OESP, Economia, p. B26
25 de Ago de 2007
Cemig quer consórcio no Madeira
Empresa negocia formação de grupos para disputar leilão de usinas e para a compra da Brasiliana/Eletropaulo
Alaor Barbosa
A Cemig está negociando a formação de consórcios para a compra da Brasiliana/Eletropaulo e para participar dos leilões das usinas do Rio Madeira, em Rondônia. Segundo o superintendente de Relações com Investidores da estatal mineira, Agostinho Faria Cardoso, há "conversas formais" com algumas empresas.
Ele ressaltou que os consórcios serão distintos. "São negócios diferentes, que envolvem investidores diferentes." Cardoso não quis informar nenhum grupo com o qual está mantendo contatos, mas adiantou que não faz restrição a nenhum tipo de empresa. "Pode ser construtor, investidor financeiro e até operador."
No caso da Cesp, controlada pelo governo de São Paulo, Cardoso disse que o interesse da Cemig é menor, já que há proibição de venda do ativo para outras estatais. "Além disso, não está claro se a empresa será mesmo privatizada ou quando isso ocorrerá."
A estratégia da Cemig é ter participação minoritária, mas com direito de preferência na compra de participações dos demais sócios que participarem do empreendimento, semelhante ao acordo feito para a compra do controle da Light, no Rio. Com isso, no futuro, a empresa poderá ampliar sua participação no projeto, caso algum acionista venda sua parte. Esse formato permite ao consórcio ter acesso a recursos do BNDES.
A empresa também está analisando a possibilidade de atuação fora do País. No ano passado a Cemig adquiriu uma linha de transmissão no Chile e está satisfeita com os resultados. "Fomos bem recebidos naquele país", disse. É possível que a Cemig até amplie os investimentos no Chile, através da compra de ativos existentes ou por meio de projetos de expansão.
A prioridade, porém, continua sendo investir no Brasil. "Acreditamos que haverá uma crescente integração energética na América Latina e estamos nos preparando para essa realidade."
Expansão
A Cemig espera concluir "nos próximos dias" a compra da térmica de Juiz de Fora, do grupo Energisa/Cataguazes Leopoldina. Segundo Cardoso, a unidade é estratégica não só por estar em Minas como por atuar no mercado de geração a gás natural.
A empresa mineira quer ampliar para 20% sua participação no mercado nacional de energia elétrica, tanto em geração quanto na distribuição e em linhas de transmissão. "Vamos ser um dos consolidadores no mercado nacional."
Governo divulga regras do leilão
O Ministério de Minas e Energia divulgou ontem a portaria n.o 248 com o formato proposto para o leilão de concessão da Hidrelétrica de Santo Antônio. Segundo o documento, a disputa deverá ocorrer pela internet e poderá ser em até duas fases. Na primeira, os investidores farão um único lance, oferecendo o preço que pretendem cobrar pela energia. Esse valor terá de ser inferior ao preço-teto, que ainda será fixado pelo governo. Ao fim da primeira fase poderá ser declarado vencedor o investidor que oferecer o menor preço, caso o valor seja pelo menos 5% inferior ao oferecido pelo segundo colocado. Caso a diferença seja menor que 5%, será realizada a segunda fase do leilão. A sistemática será posta em consulta pública até quarta-feira. As propostas podem ser enviada pelo endereço santoantonio@mme.gov.br.
Construtora pede adiamento de leilão
Camargo Corrêa sugere que data seja prorrogada por 120 dias
Renée Pereira
Depois dos empresários do setor de transportes, ontem foi a vez da Construtora Camargo Corrêa pedir o adiamento do leilão de concessão da Hidrelétrica de Santo Antônio (3.150 MW), no Rio Madeira, marcado para o dia 30 de outubro. O pedido consta de um documento de 45 páginas enviado à Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) com sugestões de mudanças no edital, cuja minuta foi colocada em consulta pública no dia 17 de agosto.
Segundo João Canellas, diretor-executivo da Amazônia Madeira Energética (Amel), empresa criada pela Camargo Corrêa para disputar o leilão, o prazo ficou muito curto para tomar todas as decisões. Ele destaca que o edital só deve ser publicado no dia 5 de setembro. "A partir daí teremos 55 dias para resolver todas as pendências, arrumar um fabricante de equipamentos e nossos parceiros conseguirem aprovação dos conselhos de administração. Trata-se de inviabilidade técnica."
Canellas disse que pediu à Aneel o prazo de 120 dias para a realização do leilão. Ele argumentou que o cronograma de construção da usina, que tem de obedecer ao regime hidrológico da região, já está comprometido pela demora no licenciamento ambiental e, portanto, não haveria problema na prorrogação do prazo.
Canellas afirmou que já foi contactado por estatais sobre o interesse de formação de um consórcio. Mas até agora não há definição. "Acredito que a partir da semana que vem tudo ficará mais claro e teremos algumas propostas concretas", avaliou ele.
O presidente da Associação Brasileira dos Investidores em Autoprodução de Energia Elétrica (Abiape), Mário Luiz Menel da Cunha, também acredita que a partir da semana que vem alguns pontos sejam esclarecidos pelo governo para que as empresas decidam pela participação ou não no projeto do Rio Madeira. O executivo aguarda portaria do Ministério de Minas e Energia com os porcentuais de destino da energia da Usina de Santo Antônio. Ou seja, quanto irá para o mercado cativo e para o mercado livre.
Ele explicou que o objetivo inicial de um consórcio formado pelos autoprodutores é investir o equivalente a cerca de 400 MW de energia. Mas o apetite dos investidores pode aumentar, dependendo das condições, adiantou ele.
OESP, 25/08/2007, Economia, p. B26
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