Valor Econômico, Empresas, p. B2
06 de Fev de 2015
Cemig garante pagamento de Santo Antônio
Rodrigo Polito e Thais Carrança
Do Rio e São Paulo
A Santo Antônio Energia (Saesa) fará na próxima segunda-feira o pagamento de R$ 330 milhões referentes à liquidação do mercado de curto prazo de dezembro, na Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE), afirmou ontem o presidente da Cemig, uma das sócias do consórcio, Mauro Borges.
"Vamos garantir o pagamento da CCEE na segunda-feira. Isso já está equacionado por todos os sócios, que definiram a garantia de que esse pagamento será feito", afirmou o executivo, após participar de reunião com investidores ontem no Rio de Janeiro.
No fim de janeiro, a Saesa havia informado ao mercado que não tinha recursos para honrar a chamada de garantias feita pela CCEE.
Borges acrescentou que, com relação à Saesa, é preciso aprimorar o modelo de governança da companhia, dona da usina, de mais de 3 mil megawatts (MW) em implantação no Rio Madeira (RO). Na prática, segundo ele, é preciso separar o negócio do consórcio construtor da usina dos interesses da geradora de energia.
Uma das maiores questões de Santo Antônio é o conflito de interesse entre o consórcio construtor e a geradora. A construtora Odebrecht, líder do Consórcio Construtor Santo Antônio (CCSA), também tem 18,6% da Madeira Energia S.A. (MESA), holding controladora integral da Saesa.
Questionado sobre possíveis mudanças societárias na MESA, Borges disse que em um primeiro momento não há alteração prevista na composição dos acionistas. Ele, porém, contou que uma eventual reestruturação societária poderá ocorrer numa segunda etapa.
Sobre a concessão das hidrelétricas de Jaguara, São Simão e Miranda, a companhia busca um acordo judicial com a União que agrade ambas as partes. "Buscamos manter as concessões das três usinas nas condições do contrato atual. Esperamos chegar a uma solução que agrade à Cemig e ao governo federal", afirmou ontem o diretor de Relações Institucionais e Comunicação da estatal mineira, Luiz Fernando Rolla, após participar de reunião com investidores em São Paulo.
Segundo ele, a companhia espera oferecer uma contrapartida de investimento para a manutenção das usinas. O preço do megawatt-hora produzido pelas hidrelétricas também deverá ser um dos fatores negociados. "Preço também é um fator relevante, certamente será levado em conta na negociação".
Segundo Borges, há um entendimento na Medida Provisória 579/2013 que permite encontrar um patamar de valor intermediário entre o preço dos contratos vencidos, mais altos, e a cifra proposta pelo governo federal. Para ele, cada usina tem um "valor justo" pela energia gerada.
Com relação ao "realismo tarifário", a Cemig espera que o consumo de energia elétrica reaja à alta de preços com o repasse do custo das térmicas às tarifas, com uma retração voluntária por parte dos consumidores, que pode até vir a evitar um racionamento, no melhor cenário. Para Rolla, o recuo do consumo pode chegar a até 3% no ano na área de atuação da Cemig.
Borges também garantiu que Paulo Roberto Pinto permanecerá na presidência da Light, que tem a Cemig como acionista majoritária. Segundo ele, o executivo foi "prestigiado pelo governador [de Minas Gerais, Fernando Pimentel]". A decisão faz parte da estratégia de manter no comando da Cemig e subsidiárias apenas técnicos.
Valor Econômico, 06/02/2015, Empresas, p. B2
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