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CCPY elabora diagnósticos socioambientais dos Yanomami e Ye´kuana no Brasil e na Venezuela

CCPY - Pró Yanomami - nº 91
Autor: Luis Fernando Pereira
01 de abr de 2008

A CCPY concluiu em dezembro o "Diagnóstico socioambiental da região de Auaris" e o documento "Situación de los Yanomami e Yekuana en Venezuela", feito em parceria com a Wataniba – Asociación para el Desarrollo Humano Multiétnico de la Amazonia , trabalhos fundamentais para o planejamento e articulação de ações de gestão sustentável a longo prazo. O diagnóstico foi elaborado por Marcos Wesley, presidente da CCPY, François Michel Le Tourneau, geógrafo e sócio-colaborador da CCPY, e Clarisse Jabur, assessora do Programa de Educação Intercultural (PEI) da CCPY, enquanto que o documento sobre a situação dos Yanomami venezuelanos foi elaborado pelo antropólogo José Antonio Kelly, da Wataniba. Ambos levantamentos fazem parte do "Projeto Gestão Territorial Yanomami" da CCPY, cujas atividades tiveram início em junho de 2007 ( ver Boletim 87 ) e que contempla diálogo e esforço conjunto entre comunidades indígenas e organizações de apoio nos lados brasileiro e venezuelano da fronteira.

A elaboração dos diagnósticos permitiu a visualização das principais demandas das comunidades de Auaris e a participação de representantes das mesmas em discussões para a elaboração de possibilidades de trabalho que fujam de um caráter assistencialista ou imediatista. A região de Auaris apresenta diversos problemas ligados à alta densidade demográfica e à sedentarização de comunidades em determinados locais, especialmente aqueles próximos à pista de pouso e às instalações do 5o Pelotão de Fronteira, implicando no escasseamento de recursos. Nesse sentido, as principais restrições apontadas pelo diagnóstico foram a falta de terras para o plantio, a escassez de caças e a dificuldade de mudanças das comunidades. Basicamente, a CCPY propôs-se a apoiar os Sanöma e os Ye´kuana de três maneiras: apoio à relocação de comunidades, incentivo à produção de proteínas alimentares através de iniciativas de criação de peixes, e adensamento das roças pela introdução de novas espécies frutíferas somada à recuperação de capoeiras. Tais soluções procuram evitar as habituais intervenções externas, desvinculadas da realidade local e que não contemplem a participação das comunidades, como outros projetos implantados anteriormente nestas regiões (criação de bois, carneiros e cabras, piscicultura sem capacitação e apoio técnico).

Já entre os Yanomami da Venezuela o principal desafio apontado diz respeito à situação legal das terras indígenas. Desde dezembro de 2007 o governo venezuelano está empenhado em aprovar reformas constitucionais, entre as quais está a proposta dos Territórios Federais, num cenário que inclui a multiplicação de Conselhos Comunais que se tornam cada vez mais interlocutores legítimos com os poderes públicos. O estudo aponta que apesar do momento político ser extremamente desfavorável para a demarcação de terras, a participação de setores sociais na execução de políticas públicas está cada vez maior. Na Venezuela, a proposta de apoio da CCPY passa pela promoção de intercâmbios para promover a difusão de noções de gestões territoriais e das experiências em curso na terra yanomami brasileira, bem como o fomento à participação e controle social de ações de saúde e maior articulação com outras organizações indígenas.

O Projeto Gestão Territorial Yanomami é executado pela CCPY em parceira com a Wataniba e Hutukara Associação Yanomami (HAY) com financiamento da Rainforest Foundation Norway (RFN).

Clique aqui para ler a íntegra do diagnóstico socioambiental da região de Auaris:

( http://www.proyanomami.org.br/v0904/index.asp?pag=noticia&id=4675 )

Clique aqui para ler a íntegra do documento sobre a situação dos Yanomami e Ye´kuana da Venezuela:
( http://www.proyanomami.org.br/v0904/index.asp?pag=noticia&id=4674 )
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