Brasil Norte-Boa Vista-RR
03 de Dez de 2002
Acampados na Praça do Centro Cívico, arrozeiros alertam para o desemprego e fechamento das fábricas
Os empresários do ramo do arroz garantem que só saem do acampamento em frente ao Palácio quando tiverem uma posição
Contra a demarcação em área contínua para os povos indígenas, os arrozeiros de Roraima estão na Praça do Centro Cívico desde a última sexta-feira e temem pela sobrevivência do futuro de Roraima. Um dos arrozeiros, Luiz Faccio informou que se realmente acontecer o que está proposto pelo Superior Tribunal de Justiça, através da Portaria 820/98, não haverá mais produção de arroz em Roraima, e apesar de outros sérios problemas, o morador no Estado terá que pagar mais pelo quilo do arroz.
Segundo ele, entre os outros problemas, mais de 18 mil famílias ficarão sem o seu sustento, isso porque atualmente a produção de arroz emprega diretamente 1 mil pessoas e indiretamente outras 3 mil, fora os serviços contratados. Através da manifestação dos arrozeiros e trabalhadores nas lavouras de arroz, o objetivo é chamar a atenção da população e dos políticos para que se sensibilizem para o fato e apóiem o seguimento, impedindo que a demarcação em área contínua aconteça. Segundo Faccio, grande parte da produção de arroz está na área da Raposa Serra do Sol. Na próxima quinta-feira, a manifestação dos arrozeiros vai ganhar o apoio de povos indígenas a favor da demarcação em ilhas. Eles estarão também na Praça do Centro Cívico.
Produção
Atualmente o seguimento de arroz em Roraima produz 1 milhão de fardos por ano, sendo que 80% são exportados para o Amazonas, Santarém e Belém.
Para protestar contra a demarcação em área contínua todas as oito empresas do ramo estão representadas na Praça do Centro Cívico, inclusive com seus funcionários.
"O mais importante nisso tudo é que a demarcação em área contínua coloca em risco várias famílias, que poderão ficar desempregadas. Além disso, aumentaria o índice de pobreza no Estado e conseqüentemente a criminalidade", alertou Faccio. O arrozeiro disse que por trás dessa possibilidade estão as Organizações Não Governamentais e membros da Igreja Católica. Segundo ele, "as decisões não podem ser tomadas por Ong´s".
Paradas
Com a manifestação que já dura cinco dias, os funcionários das empresas arrozeiras estão jogando dominó, futebol e vôlei para passar o tempo na Praça. Alguns, inclusive estão dormindo no local, onde também foram instalados banheiros públicos.
As notícias aqui publicadas são pesquisadas diariamente em diferentes fontes e transcritas tal qual apresentadas em seu canal de origem. O Instituto Socioambiental não se responsabiliza pelas opiniões ou erros publicados nestes textos. Caso você encontre alguma inconsistência nas notícias, por favor, entre em contato diretamente com a fonte.