OESP, Vida, p.A23
25 de Jan de 2006
Casos de malária entre índios crescem 71,7%
No Amazonas, número de infectados triplicou. Funasa prepara estratégia de combate à doença
Elaíze Farias
Os casos de malária nas comunidades indígenas da Amazônia Legal tiveram um aumento de 71,7% no ano passado, segundo informações da Fundação Nacional de Saúde (Funasa). Nos Estados do Acre, Amapá, Pará, Mato Grosso, Roraima, Maranhão, Rondônia e Tocantins, os registros saltaram de 15.273, em 2004, para 26.234, em 2005. A doença é causada por quatro tipos de quatro tipos de micróbios (plasmódios), transmitidos pelo mosquito Anophele.
Somente no Amazonas, a doença atingiu 14.489 indígenas em 2005 (até novembro, quando o levantamento foi concluído). Em 2004, foram registrados 4.878 casos de malária nas comunidades do Estado. Os povos mais afetados do Amazonas são os matis e os marubos, na região do Vale do Javari, no Alto Rio Solimões; os cambebas, no Médio Solimões; e os mura, no Rio Madeira. Em Roraima, os ianomâmis são as maiores vítimas.
Segundo o coordenador regional da Funasa no Amazonas, Francisco Aires, diretores dos distritos sanitários de toda a Amazônia têm até esta sexta-feira para apresentar um levantamento de quanto material é necessário para lançar uma ação de emergência. Serão comprados inseticidas, bombas para fumacê e combustível. Também serão contratados agentes. A Funasa ainda não sabe quanto será gasto com a mobilização.
Interesse eleitoral
Segundo o representante do programa de controle da malária do Ministério da Saúde, Rui Moreira Braz, a doença avançou nos últimos dois anos em função do desabastecimento de medicamentos e inseticidas, falta de capacitação adequada dos profissionais que atuam no trabalho de prevenção, demissão de agentes de saúde e demora na contratação de substitutos.
No dia 2 de fevereiro, membros do Banco Mundial, com quem o governo mantém parceria para a saúde indígena por meio do projeto Vigisus, visitarão uma aldeia do Amazonas. Segundo o diretor nacional do projeto Vigisus, Willliames Pimentel, a vinda dos representantes do Banco Mundial será uma oportunidade para que eles avaliem "como é difícil fazer saúde pública na Amazônia, em especial entre os povos indígenas".
Para Genival Oliveira, da Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (Coiab), a iniciativa da Funasa "é apaga-fogo" por causa do início do período eleitoral. Membro da etnia maiuruna, povo do Alto Rio Solimões, Oliveira disse que o índice de malária nas comunidades indígenas é historicamente alto, mas os governos nunca consideraram o problema como uma de suas prioridades.
Para Oliveira, é preciso mudar o modelo adotado para a gestão da saúde indígena. Hoje, o combate à malária é atribuição dos governos estaduais. Segundo ele, o Ministério da Saúde também deveria criar uma Secretaria Especial com as atribuições que hoje pertencem à Funasa.
OESP, 25/01/2006, p. A23
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