O Globo, Ciência, p. 44
19 de Dez de 2012
Carvão superará petróleo dentro de uma década
Mudança deverá acentuar ainda mais as emissões de CO2
O carvão deve se tornar a principal fonte de energia do mundo até 2022, informou ontem a Agência Internacional de Energia (AIE). O anúncio veio juntamente com a advertência de que a queima do carvão libera muito mais CO2 do que a do petróleo, o que poderá acentuar o processo de mudanças climáticas.
O consumo de carvão deve aumentar em função da demanda da China e da Índia por energia. Hoje, a China já é a maior emissora de gases-estufa do mundo. O relatório da agência destacou que a melhor opção para conter a disparada das emissões de CO2 seria a substituição parcial do petróleo por gás natural, ao menos em curto prazo.
PROJETOS DE CAPTURA PARADOS
O anúncio ocorre num momento em que as emissões de gases do efeito estufa chegaram ao seu maior nível histórico e superaram a marca considerada limite para impedir que a temperatura média da Terra suba mais do que 2 graus Celsius até o fim do século.
Embora pareça pequeno, um aumento médio deste tem capacidade de desequilibrar o clima global, acentuando extremos de calor e frio, de seca e tempestades.
A AIE também destacou a falta de projetos para capturar CO2 da atmosfera. Mergulhada numa crise econômica, a União Europeia, historicamente a maior defensora desses empreendimentos, reconheceu, no entanto, que foi incapaz de financiar qualquer projeto de captura e estocagem de carvão.
O relatório da AIE destacou que o crescimento econômico e populacional dos países emergentes é o principal motor da demanda por carvão.
- Se nenhuma mudança importante nas atuais políticas de energia do mundo acontecer, o carvão substituirá o petróleo dentro de uma década - salientou a diretora-executiva da agência, Maria Van der Hoeven.
De acordo com o relatório, em 2017 o consumo global de carvão chegará a 4,32 bilhões de toneladas, enquanto que o de petróleo será de 4,4 bilhões.
- O consumo de carvão cresce a cada ano - observou a diretora-executiva da AIE.
O relatório informa que em 2014 a China sozinha responderá por mais da metade de todo o consumo mundial de carvão. Nesse mesmo ano, a Índia deverá ultrapassar os Estados Unidos no posto de segundo maior consumidor mundial do mineral. Segundo a AIE, os EUA - por décadas o maior consumidor do mundo - serão o único país que deverá reduzir a demanda já nos próximos anos.
- A experiência americana sugere que um mercado eficiente de gás, políticas flexíveis de preço e, evidentemente, reservas de recursos naturais, podem diminuir significativamente a demanda mundial por carvão - frisou Maria Van der Hoeven.
O Globo, 19/12/2012, Ciência, p. 44
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