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Carne 'sustentável' é nova aposta do varejo

OESP, Economia, p. B14
21 de mai de 2008

Carne 'sustentável' é nova aposta do varejo
Redes de supermercados treinam fornecedores para produzir carne com menor impacto socioambiental

Andrea Vialli

A pressão de ONGs sobre as condições de produção da carne - que, em muitos casos, envolve polêmicas como o desmatamento da Amazônia e uso de trabalho escravo - está levando redes varejistas a investirem na chamada 'carne sustentável', produzida em condições menos agressivas ao ambiente e com respeito às leis trabalhistas.

Redes como o Pão de Açúcar e o Carrefour estão treinando seus fornecedores para que passem a adotar normas socioambientais em seus sistemas de produção de carne. No caso do grupo Pão de Açúcar, a receita para chegar ao bife socialmente correto implicou no treinamento de fazendeiros, por meio de uma parceria entre o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e o Instituto Ethos, que consumiu recursos de US$ 74 mil. O programa teve início em 2005.

Além de fomentar boas práticas nas fazendas, o programa teve foco no desenvolvimento da qualidade da carne, com rastreamento da produção. 'A melhora genética permitiu uma redução de 70% no teor de gordura da carne, o que tem atraído consumidores preocupados com saúde. O próximo passo é fazer uma identificação mais clara da carne sustentável nas lojas', diz Vagner Giomo, gerente de desenvolvimento de carnes do Pão de Açúcar.

As vendas de carne sustentável são incipientes, mas já dão lucro - a linha faturou R$ 242 mil, e já cobriu os custos com o treinamento dos fornecedores. A meta, até o final do ano, é triplicar a produção e colocar nas prateleiras linhas de carne suína e frango com esse perfil.

O Carrefour informa que também adota, desde 1999, critérios de qualidade e responsabilidade social no contrato com os fornecedores. O programa da rede varejista, batizado de Garantia de Origem, prevê acompanhamento e auditorias nas fazendas. O contrato exige que as propriedades estejam à frente da legislação brasileira em itens como respeito às leis sanitárias, ambientais e trabalhista. Hoje, 40% da carne bovina comercializada pela rede tem o selo que identifica o programa. Além de carne, o programa engloba também peixes e hortifrúti.

Até o gigante dos frigoríficos JBS Friboi lançou em 2004 uma linha-piloto de carne orgânica, que hoje representa 3% da produção do grupo. A carne é oriunda de um grupo de 20 fazendas da região de Tangará da Serra (MT), que fornecem exclusivamente para a empresa e cuja produção inclui cuidados com o bem-estar e a rastreabilidade dos animais. 'Até 2010, nossa meta é que a carne orgânica represente 5% da produção', diz Antonio Zambelli, diretor de inovação do JBS Friboi. Parte da produção é exportada para Europa e Oriente Médio.

A Asa Alimentos, empresa integrada de produção de aves e suínos de Brasília, também vislumbra um mercado para a carne sustentável. A divisão de suinocultura da companhia, por exemplo, adotou um sistema de criação de porcos que utiliza camas de palha nas granjas. 'É um sistema que permite produzir com menor impacto ao meio ambiente e traz ganhos para a qualidade da carne, já que os animais são mais saudáveis', explica Alberto Guimarães, gerente de marketing da Asa Alimentos. O cuidado ambiental ajudou a garantir contratos de fornecimento para as redes Carrefour e Pão de Açúcar.

CAMPANHA

O engajamento das redes varejistas na busca por fornecedores mais sustentáveis é tema de uma campanha do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec). 'Ainda é ínfima a produção de carne nesses moldes, mas houve mudança na percepção das redes varejistas ', diz Lisa Gunn, gerente de informação do Idec. 'O desafio é fazer com que esses produtos saiam do nicho de mercado e estejam disponíveis para todos os tipos de consumidor.'

OESP, 21/05/2008, Economia, p. B14

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