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Carne do Pará: 39 empresas aderem a boicote

O Globo, Economia, p. 32
20 de Jun de 2009

Carne do Pará: 39 empresas aderem a boicote
Nenhum dos frigoríficos considerados responsáveis por desmatamento se enquadrou às exigências feitas pela Procuradoria

Liana Melo

Chega a 39 o número de empresas que aderiram ao boicote à compra de carne e couro oriundos de área desmatada no Pará. Seguindo o exemplo das redes de supermercados Pão de Açúcar, Carrefour e Wal-Mart, grupos como Vicunha Têxtil, Vulcabrás, Sadia e Gelita do Brasil - que responde por 15% de toda gelatina consumida no mundo -, responderam positivamente à recomendação do Ministério Público Federal (MPF) do Pará para interromper as compras de 11 frigoríficos denunciados por crimes ambientais no estado.
- Foram reunidas provas suficientes da responsabilidade dos frigoríficos no desmatamento e quem não atender à recomendação e continuar comprando deles será processado como responsável solidário pela derrubada ilegal cometida em terras paraenses - advertiu Daniel César Azeredo Avelino, um dos procuradores responsáveis pelo cerco ao setor desencadeado no começo deste mês.

BNDES tenta desenvolver "sistema de rastreabilidade"
Até agora foram enviadas 69 recomendações, e das 39 empresas que já aderiram ao boicote, quatro delas solicitaram mais prazo para tomar as providências cabíveis, o que foi concedido. O processo do MPF foi decorrência da campanha desencadeada pela ONG ambientalista Greenpeace, que comprovou, através do relatório "Farra do Boi na Amazônia", o vínculo entre a pecuária e o desmatamento.
Apesar da adesão ao boicote, o coordenador da campanha de pecuária da ONG, André Muggiati, admite estar preocupado, porque até agora nenhum frigorífico se enquadrou às exigências legais feitas pelo MPF.
Enquanto isso, a entidade dá continuidade a sua campanha internacional contra o frigorífico Bertin. A exemplo do International Finance Corporation (IFC), braço privado do Banco Mundial (Bird), que cancelou financiamento ao frigorífico, a ONG está pressionando as marcas Adidas, Nike, Timberland e Clarks a pararem de comprar do frigorífico.
O presidente do BNDES, Luciano Coutinho, anunciou ontem que o banco está tentando desenvolver "sistemas de rastreabilidade" para acompanhar toda a cadeia dos frigoríficos. O sistema possibilita saber a origem do gado.
- Ainda que seja saudável, é um pouco covardia cobrar do BNDES fiscalizar o país inteiro - disse Coutinho, admitindo que "avançar numa agenda eficaz no sentido da rastreabilidade não é fácil".

O Globo, 20/06/2009, Economia, p. 32

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