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Carne de jacaré-açu é comercializada de forma sustentável em Rondônia

Rondonotícias - http://www.rondonoticias.com.br/
Autor: Paulo Vagner
29 de nov de 2011

A carne de um dos maiores predadores da América do Sul, o jacaré-açu, já é comercializada a partir do abate sustentável do animal em Rondônia. O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) autorizou o abate do animal na Reserva Extrativista do Lago do Cuniã, localizada a cerca de 130 km de Porto Velho.

O abate é realizado no frigorífico inaugurado em abril deste ano e administrado por ribeirinhos que vivem na reserva, localizada a cerca de 130 km da capital. O Ibama estima que mais de cem mil répteis habitem a região. Devido à grande população da espécie, o órgão autorizou o manejo sustentável dos animais.

A espécie cresceu mais que a população ribeirinha - representada por mais de 80 mil famílias - que mora às margens do rio. Após ataques a lavadeiras de roupas e pescadores, o Ibama autorizou a criação de uma cooperativa para abater os animais. Os moradores foram treinados para controlar a superpopulação dos jacarés e passaram a ser chamados de 'jacarezeiros'.

Captura

A captura dos jacarés é realizada no período da noite, momento que a equipe de 'jacarezeiros' desce o rio nos barcos em busca do animal. Devido o réptil possuir sensibilidade a luz nos olhos, os profissionais utilizam uma lanterna especial para focar o animal que fica sem reação. Com a imobilização, ele é laçado através de fios de aço.

Criada há 12 anos, a reserva do Lago do Cuniã é administrada pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBIO). De acordo com o ICMBIO, o abate é realizado no frigorífico inaugurado em abril deste ano. O processo segue rigorosos critérios de manutenção da carne.

Aproximadamente 297 jacarés com média de 22 kg foram abatidos nesta primeira etapa, e quase 1.800 kg de carne recebeu a inspeção da vigilância sanitária de Porto Velho e deverão entrar em comercialização no Estado. O couro do animal também é usado na produção de sapatos e assessórios.

Abate consciente

De acordo com o biólogo Tiago Andrade, o manejo deve acontecer apenas uma vez por ano. "Podemos abater 10% dos animais contados. Excluímos as fêmeas, e os animais fora de medidas. Em 2012 serão aproximadamente 600 animais abatidos pela cooperativa", disse Andrade.

A veterinária Adna da Silva afirmou que todos os requisitos de segurança são seguidos à risca para o abate na reserva. "Damos segurança à população, porque é um produto 100% saudável. Os rondonienses podem confiar na qualidade da carne dos jacarés", explicou Silva.
Apoio aos ribeirinhos

Para administrar o frigorífico os ribeirinhos organizaram uma cooperativa e receberam ajuda da Associação de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado de Rondônia (Emater-RO). O órgão ajudou desde a distribuição de cargos e tarefas, até a comercialização da carne exótica.

Depois de vender a carne, 50% do dinheiro arrecadado é revertido na manutenção do projeto de manejo, o restante da quantia é dividido entre os jacarezeiros em melhorias na comunidade.

Comercialização da carne

Um supermercado de Porto Velho comprou a primeira remessa de carne de jacaré da reserva do Lago do Cuniã, nesta semana. Com o freezer cheio, o comércio promoveu degustação da iguaria aos clientes em forma de risoto e empanado.

Depois de degustar o produto, a dona de casa Mirian Miranda aprovou a iniciativa. "Vou comprar. É uma delícia, nunca tinha provado. É uma novidade e irei levar", afirmou.

O coordenador de turismo de Porto Velho, Jun Yamamoto, já está em busca de receitas. "Temos que agregar valor para nossa alimentação e culinária do Estado e também para nossa comunidade", finalizou.

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