VOLTAR

Cantareira tem apenas 25% de chance de se recuperar após o próximo verão

OESP, Metrópole, p. A11
07 de Jul de 2014

Cantareira tem apenas 25% de chance de se recuperar após o próximo verão
Análise estatística mostra que nem mesmo a temporada de chuvas entre dezembro e abril deve tirar o sistema de situação crítica em 2015

Fabio Leite

Aguardada como a solução para a crise do Sistema Cantareira, a próxima temporada de chuvas não deve livrar o principal manancial paulista do estado crítico. Análise do comitê que monitora a seca nos reservatórios revela que o sistema tem 25% de chance deacumular546 bilhões de litros entre dezembro e abril de 2015. Essa seria a quantidade de água suficiente para repor o volume morto usado emergencialmente e devolver ao Cantareira 37% da sua capacidade antes do próximo período de estiagem.
Este ano foi o único da última década em que o sistema iniciou a temporada sem chuvas (maio a setembro) com menos de 35% da capacidade. No dia1o de maio, o nível do manancial estava em 10,5%, ou seja, menos de um terço disso. Em 2004, ano da última crise do Cantareira, os reservatórios iniciaram o período com 35,5% do volume armazenado.
Agora, além de a seca ser mais severa, o uso inédito de 182,5 bilhões de litros da reserva profunda das represas pela Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) deve retardar a recuperação do sistema. Segundo o levantamento feito pelo comitê anticrise, os cálculos mostram que a probabilidade de o Cantareira obter um saldo igual ou superior a 394 bilhões de litros entre dezembro e abril é de 50%. Mais provável (75% de chance) é acumular 219 bilhões de litros nesses cinco meses
Se as projeções mais pessimistas do comitê e da Sabesp se confirmarem, o volume útil do manancial acaba nesta semana e o volume morto, entre outubro e novembro. Desta forma, no primeiro cenário (de acúmulo de 394bilhões), o sistema chegaria a maio de 2015 com cerca de 22% da capacidade normal e, no segundo (219bilhões), com apenas 4%.
Para o diretor do Departamento de Hidrologia da Faculdade de Engenharia da Unicamp, Antônio Carlos Zuffo, nos dois cenários mais prováveis, o Cantareira continuaria mergulhado na crise. "Embora 22% seja o dobro do volume de maio deste ano, ele é preocupante. Em 2014, o sistema perdeu 20 pontos porcentuais em cinco meses. Neste caso, entraria em restrição de uso. Com 4%, seria uma crise muito pior que a deste ano. Apenas com 37% é que o sistema estaria parcialmente recuperado."
Independente do cenário possível, a recuperação do Cantareira pode ficar mais difícil se a Sabesp decida retirar mais 100 bilhões de litros do volume morto - ao todo, a reserva tem 400 bilhões de litros. A possibilidade, já cogitada pela companhia, enfrenta resistência da Agência Nacional de Águas (ANA), que quer que a empresa reserve 5% do volume já utilizado para depois de novembro.

Metodologia.
A análise do comitê técnico considerou a quantidade média de água que entrou nas represas do Cantareira, entre dezembro e abril desde 1930, e uma retirada média de 24,8 mil litros por segundo para abastecer a Grande São Paulo e Campinas. Ontem, a vazão foi de 23,2 mil litros. Para Zuffo, porém, o método usado não é o mais adequado e deixou o resultado mais otimista do que realista. "O correto seria avaliar a probabilidade condicionada, uma vez que a previsão hidrológica para um mês está diretamente relacionada ao mês anterior", afirma.

OESP, 07/07/2014, Metrópole, p. A11

http://sao-paulo.estadao.com.br/noticias/geral,cantareira-tem-apenas-25…

As notícias aqui publicadas são pesquisadas diariamente em diferentes fontes e transcritas tal qual apresentadas em seu canal de origem. O Instituto Socioambiental não se responsabiliza pelas opiniões ou erros publicados nestes textos. Caso você encontre alguma inconsistência nas notícias, por favor, entre em contato diretamente com a fonte.