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Candidatos democratas nos EUA cobram ação do Brasil para a Amazônia

O Globo, Mundo, p. 30
19 de fev de 2020

Candidatos democratas nos EUA cobram ação do Brasil para a Amazônia

Em série de perguntas sobre a América Latina feitas pela Americas Quarterly, Elizabeth Warren e Michael Bloomberg falam sobre acordos comerciais, China e golpes militares

Dois dos principais candidatos democratas à Presidência dos EUA cobraram do Brasil uma atuação mais incisiva na proteção da Amazônia e das populações nativas da região, sem excluir a possibilidade de adotarem medidas contra o país caso sejam eleitos. Em uma série de perguntas sobre a América Latina, feitas pela revista Americas Quarterly a todos os oito pré-candidatos do partido, a revista os questiona se eles poderiam adotar alguma ação caso o Brasil não consiga proteger a floresta.

Até agora, apenas dois deles responderam: a senadora Elizabeth Warren, mais ligada aos setores de esquerda do partido, e o ex-prefeito de Nova York, Michael Bloomberg, que avança nas pesquisas sobre outros candidatos centristas.

Sem mencionar o Brasil, Bloomberg afirma que vai "punir governos e corporações ligados ao desmatamento e práticas que intensifiquem as mudanças climáticas e ameacem os povos nativos". Ele ainda elogiou a mensagem do Papa Francisco em defesa da floresta, a "Querida Amazônia".

Warren vai por outra linha, dizendo ser necessária uma ação do governo do Brasil e de outras nações para defender a região. Ela afirma que o Brasil "precisa liderar esses esforços, como o fez no passado", e diz que a questão climática vai ser um dos temas principais de sua política externa, caso chegue à Casa Branca.

As perguntas da Americas Quarterly também versaram sobre as propostas de acordos de livre comércio entre os EUA e os países da região, como o Brasil. Michael Bloomberg diz que esse tipo de acordo pode ser positivo para todos os lados, desde que siga regras que permitam ganhos reais. Ele defende ainda que os acordos tragam consigo "padrões elevados nos campos trabalhista e ambiental, além de compromissos com o combate à corrupção".

Warren, sem entrar em detalhes, diz que seu objetivo é tornar os EUA um "bom parceiro comercial" da América Latina, e defendeu que os acordos comerciais incluam padrões trabalhistas e ambientais mais elevados, além de propor um trabalho conjunto pela redução global do preço de medicamentos.

Influência da China
Apesar de se fazer presente em algumas das discussões centrais da campanha, como a imigração e a Venezuela, a América Latina passa longe das prioridades dos pré-candidatos e mesmo do presidente Donald Trump - daí o aspecto quase inédito das respostas à Americas Quarterly.

Outro dos temas levantados foi a crescente influência da China na região. Warren diz que a melhor arma para os EUA "retomarem" terreno é "recuperar a credibilidade" do país, e acusa Trump de ter "alienado" a região. Bloomberg, por sua vez, acusa o presidente de ter negligenciado a presença chinesa na América Latina e diz que "isso vai mudar" caso seja eleito.

Os dois ainda divergem sobre como lidar com o narcotráfico: Warren quer o fim da "guerra às drogas" e defende a legalização da maconha, enquanto Bloomberg defende uma atuação em conjunto com os governos da região para "atacar todo o tráfico de substâncias ilícitas para os EUA".

Por fim, a revista pergunta aos candidatos se eles pretendem se desculpar pelo apoio dos EUA a uma série de ditaduras na América Latina no século XX, como no Chile e no Brasil. Bloomberg afirma que a relação dos EUA com a região nos últimos séculos foi marcada por "vitórias e erros", e que "não se pode mudar o passado", mas defende uma mudança nas relações para "construir um futuro melhor". A senadora diz que "vai reconhecer os erros do passado", mas que "não podemos ser aprisionados por eles", propondo uma relação baseada na "defesa da democracia e das liberdades que tantos na região lutaram para obter".

O Globo, 19/02/2020, Mundo, p. 30

https://oglobo.globo.com/mundo/candidatos-democratas-nos-eua-cobram-aca…

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