O Globo, Ciência, p. 36
11 de Dez de 2007
Canadá tenta sabotar acordo climático
Documentos provam que meta era dividir bloco dos países emergentes
Gilberto Scofield
Enviado especial
0 vazamento de documentos com instruções para diplomatas do Canadá - exigindo que só assinem um acordo pós-Kioto se os países emergentes poluidores, entre eles China, índia e Brasil, se comprometerem a adotar metas de emissão de gases do efeito estufa - se transformou nó grande escândalo da 13ª Conferência da Convenção de Mudança Climática das Nações Unidas. A revelação, feita pela coalização de ONG Climate Action Network, irritou ambientalistas e autoridades presentes à conferência, que acusam o Canadá de sabotar o acordo dividindo os países emergentes - hoje reunidos no grupo conhecido como G77 + China - entre grandes e pequenos poluidores, ao mesmo tempo em que se exime de adotar metas ambiciosas.
0 primeiro-ministro conservador canadense, Stephen Harper, já havia dito que qualquer acordo pós-Kioto, a ser fechado em 2009 (com o objetivo de ser aprovado até 2012, quando vence o protocolo atual) deverá incluir compromissos de cortes de emissões de todos os grandes países poluidores que ficaram de fora da meta de redução de 5,2% incluída no Protocolo da Moto, como EUA, Austrália, China, índia e Brasil, entre outros.
- A única maneira de fecharmos um acordo é se todos assumirem compromissos - afirmou Harper. - 0 Protocolo de Moto falhou porque não impôs metas a países emergentes poluidores.
0 ministro do Meio Ambiente do Canadá, John Baird, afirma que o país chegará a 2012 com uma redução de 33% comparada a 1990 em suas emissões, mas ambientalistas dizem que os dados não são verdadeiros e que o país se beneficia, na verdade, da compra de crédito de carbono emitidos por países pobres em projetos ambientais, e não de cortes efetivos nas suas emissões de C02.
Semana passada, o prêmio Nobel da Paz e presidente do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC, da sigla em inglês), Rajendra K. Pachauri, definiu a posição canadense como oportunista.
Segundo o IPCC, as emissões per capita de gases do efeito estufa do Canadá são 18 vezes maiores que as emissões per capita da índia e 6,5 vezes maiores que as China.
0 embaixador extraordinário de Mudanças Climáticas do Itamaraty, Sérgio Serra, afirmou que a estratégia canadense mostra apenas como são grandes e contraditórias as pressões dos países ricos sobre ' os emergentes e que o momento para estes países é de união.
O Globo, 11/12/2007, Ciência, p. 36
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