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Campos é alvo de críticas na área ambiental em PE

O Globo, País, p. 4
10 de Out de 2013

Campos é alvo de críticas na área ambiental em PE

Governador é atacado por destruição de manguezal e de barreira de arrecifes nas obras do Porto de Suape.

Sérgio Roxo

SÃO PAULO - O governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), coleciona ao longo dos seus quase sete anos de gestão uma série de críticas pela atuação na área ambiental, um dos pilares da plataforma Rede Sustentabilidade, de Marina Silva. As principais polêmicas na área estão relacionadas ao complexo industrial portuário de Suape, no litoral sul do estado.
Em 2010, um projeto de lei do governo estadual, aprovado na Assembleia Legislativa, permitiu o desmatamento de uma área de 691 hectares (mais de 700 campos de futebol), dos quais 508 hectares equivaliam a um manguezal que não pode ser replantado. O texto teve parecer da Comissão de Meio Ambiente do Legislativo.

Multa de R$ 2,5 milhões

No mês passado, a Agência Estadual de Meio Ambiente aplicou uma multa de R$ 2,5 milhões ao empreendimento por causa do uso de explosivos para remover a barreira de arrecifes para a passagem de navios.
O complexo também é alvo do Ministério Público Estadual, que pretende entrar com uma ação para aplicação de R$ 250 milhões na recuperação do meio ambiente da região. A avaliação é que o complexo, que começou a ser construído antes da chegada de Campos ao poder, provocou a série de ataques de tubarões a banhistas no litoral do estado nos últimos anos.
- O primeiro governo do Eduardo Campos (2007-2010) foi completamente predador e sem qualquer preocupação ambiental. Apostou todas as fichas no complexo de Suape com o argumento da geração de emprego - avaliou Heitor Scalambrini Costa, professor da Universidade Federal de Pernambuco e integrante do Fórum Suape.
No segundo mandato, Campos decidiu criar uma Secretaria de Meio Ambiente. Para o posto, foi nomeado Sergio Xavier, que havia disputado pelo PV a eleição estadual contra o socialista e ficado em terceiro lugar. Xavier é aliado de Marina e coordenador da Rede em Pernambuco.
- A nomeação foi uma tentativa de dar um verniz ambiental ao governo e diminuir a oposição. Mas a secretaria não funciona de forma adequada. É formada só por quadros políticos. A verdade é que o estado não tem uma política ambiental - afirma o líder da oposição na Assembleia, Daniel Coelho (PSDB), que deixou o PV na época da nomeação.
Xavier era um crítico da gestão ambiental de Campos. Em 2010, acusou em seu blog o governo de tentar transformar Suape em "mangue brita", numa referência ao movimento musical mangue beat dos anos 1990. Escreveu ainda que o texto do projeto de lei de desmatamento da região "revela a total falta de compromisso socioambiental do governo".
O deputado Coelho ainda acusa o governo de depositar de forma irregular o lodo dragado do poluído Rio Capibaribe, que corta parte do estado, e de não atuar para combater a derrubada de árvores da caatinga pelo polo gesseiro do Araripe, no sertão.
Xavier diz que houve uma mudança na gestão ambiental no segundo mandato e que só aceitou assumir a secretaria porque o governo se comprometeu com 15 pontos ambientais, que "vêm sendo seguidos".
- O processo de recuperação é lento e demora a ser percebido. Suape é hoje o porto com o maior percentual de área verde do mundo.

O Globo, 10/10/2013, País, p. 4

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