JB, Economia & Negocios, p.A18
Autor: SAMPAIO FILHO, João de Almeida
29 de Dez de 2004
Campo, o grande empregador
O agronegócio brasileiro tem garantido não apenas o superávit da balança comercial do País, mas há mais de uma década é o setor que mais emprega em toda a cadeia produtiva da economia brasileira. 0 agronegócio gera 18 milhões de empregos, o que corresponde a 30% da população economicamente ocupada do País.
Esses números já colocam por terra as denúncias, absurdas e infundadas, de algumas entidades e ONGs, ideologicamente atrasadas, que insistem em afirmar que o trabalho escravo é a principal forma de emprego na agricultura brasileira.
As ONGs e as entidades, em sua maioria, e muitas vezes órgãos do próprio governo federal fecham os olhos para o óbvio: o agronegócio gera um emprego para cada três existentes no País. Apenas a agricultura criou 155.786 empregos formais diretos nos primeiros cinco meses deste ano.
E mais: o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), com base em projeções do BNDES, calcula que, até o fim deste ano, o agronegócio brasileiro terá gerado 1,2 milhão de empregos.
Qual outro setor da economia criou esse número de empregos? Somente no campo, os postos de trabalho absorveram 400 mil novos trabalhadores e os empregos indiretos em toda a cadeia produtiva do setor resultaram na contratação de 340 mil pessoas.
Outras 580 mil vagas foram geradas em conseqüência do efeito da renda agropecuária. Isso significa que a capitalização dos produtores incentivou a abertura de empregos em outras áreas da economia como as indústrias da construção civil, têxtil e automobilística.
A exportação e o bom desempenho do agronegócio brasileiro contribuíram e continuarão contribuindo para gerar empregos na indústria automobilística. A demanda de tratores, colheitadeiras e utilitários criou nos últimos quatro meses cerca de 3.200 novas vagas nas montadoras.
Os dados mostram que, nas cidades criadas em função da expansão da agricultura em regiões como Mato Grosso, oeste da Bahia, Rondônia, Acre e Roraima, a renda per capita de seus habitantes é superior à renda per capita brasileira.
Para ficar apenas em um exemplo: o município de Sorriso, no norte do Mato Grosso, que responde hoje por 2,8% da produção nacional de grãos e sua agricultura é considerada uma das mais modernas do mundo, pela utilização de alta tecnologia e pela ocupação racional do solo.
O PIB de Sorriso vem registrando um crescimento de 15% ao ano. 0 desemprego é quase nulo e a renda per capita do município é de US$ 7.870, ante os US$ 6.300 da população brasileira.
Ignorando essa realidade da moderna agricultura brasileira, grupos ultrapassados lançam mão de casos isolados para denegrir a imagem do setor que mais cresce, gera empregos e renda na economia brasileira.
0 mais estranho é que essas acusações se intensificam justamente no momento em que o Brasil, impulsionado pelo agronegócio, aumenta a participação no comércio mundial.
Desde o início de 2003 até o mês de setembro de 2004, as exportações do país cresceram 25,5%, oito pontos percentuais acima da média mundial, que ficou em 17,4%. É a primeira vez, nos últimos 19 anos, que o Brasil responde por 1 % das vendas globais.
É importante que a sociedade brasileira saiba que a maioria dessas ONGs é estrangeira ou recebe recursos dos chamados países ricos, que perdem mercados para os produtos brasileiros, sobretudo os que fazem parte da cadeia produtiva do agronegócio.
E preciso que se dê um basta às denúncias equivocadas de trabalho escravo no campo. E o instrumento que temos para contestar as ONGs e entidades é informar à sociedade o que a agricultura, a pecuária e o agronegócio representam para o país e para os 182 milhões de cidadãos brasileiros. É o que a Sociedade Rural Brasileira está e vai continuar fazendo.
João de Almeida Sampaio Filho, Presidente da Sociedade Rural Brasileira (SRB).
JB, 29/12/2004, p. A18
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