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Caminhada Zumbi dos Palmares e Missa dos Quilombos marcam Dia da Consciência Negra

Governo do Amapá - http://www.agenciaamapa.com.br
Autor: Édi Prado
19 de Nov de 2013

O Dia da Consciência Negra é comemorado nesta quarta-feira, 20, em todo o Brasil. No Amapá as festividades começaram no dia 16 e vão até o próximo dia 25, numa intensa programação envolvendo todas as comunidades quilombolas do Amapá e a comunidade em geral. Mas é no dia 20 que ocorre a Caminhada Zumbi dos Palmares, às 16h, com saída da Beira Rio até ao Centro de Cultura Negra, no Bairro do Laguinho, onde também acontece às 20h, a celebração da tradicional Missa dos Quilombos.

A Caminhada Zumbi dos Palmares, será um momento de grande confraternização entre os povos. Além de uma homenagem ao líder da resistência negra, no período do Brasil colonial, será uma grande manifestação pela paz e igualdade entre os seres humanos. "Será um momento onde todos, negros, brancos, amarelos, pardos, indígenas, a representação da miscigenação do povo brasileiro, estará reunida para louvar a paz e a integração", convoca o governador Camilo Capiberibe.

A concentração será na Beira Rio com saída às 16h. Carro som e grupos afrodescendentes, com a identificação das várias comunidades quilombolas e a população em geral, estão sendo convocada para participar deste momento de confraternização e manifestação de paz e alegria, simbolizando a união dos povos.

A Missa Quilombola, que já faz parte da principal manifestação religiosa no tradicional sincretismo religioso, comemorado neste dia 20, no Centro de Cultura Negra do Amapá. A Missa celebrada pelo padre negro, Paulo Roberto , contará com a presença, no mesmo altar, dos líderes religiosos da cultura afrodescendentes, Pai Salvino, Pai Marcos e a Mãe Iolete.

Na história das religiões, o sincretismo é uma fusão de concepções religiosas diferentes ou, a influência exercida por uma religião nas práticas de outra. Ecumenismo é o processo de busca da unidade. O termo ecumênico provém da palavra grega oikouméne, designando "toda a terra habitada". Num sentido mais restrito, emprega-se o termo para os esforços em favor da unidade entre igrejas cristãs; num sentido lato, pode designar a busca da unidade entre as religiões.

Uma Missa diferente

Em Macapá, a Missa dos Quilombos representa um dos pontos ápices da programação da Semana da Consciência Negra e também o momento mais emocionante, pois reúne todas as comunidades negras numa manifestação de sincretismo religioso, fé e tradição. Se identifica a diversidade de adeptos, com as bandeiras de Santo e localidades, com imagens de santo e de entidades, roupas brancas mesclando-se com o intenso colorido das saias rodadas das mulheres do Marabaixo e do Batuque.

No altar erguido no palco, uma imagem de quase um metro de altura de Nossa Senhora da Conceição, divide o espaço com os Orixás, entidades, encantados e caboclos que na visão de pai Salvino, também estarão presentes na celebração, regozijados de satisfação. Também este ano, o Candomblé e a Umbanda mantém a participação na celebração, considerado pelos religiosos como o reconhecimento e o fortalecimento das religiões de matrizes africanas.

"Esse momento demonstra que estamos sendo valorizados enquanto sacerdotes e religiosos. Sem dúvida é a maior prova de que o mundo pertence a Deus, que tem várias faces, mas, ao final, é um só. A Missa dos Quilombos, a Semana da Consciência Negra, é um modelo de congregação para se alcançar a paz, pois aqui as diferenças são respeitadas e celebradas sem divisões", declarou pai Marcos.

Envolvida por rituais, a Missa dos Quilombos inicia com orações do catolicismo, da umbanda e do candomblé, bem como os cânticos de cada religião, incluindo os da língua africana Iorubá (Nigéria) e canções populares das lutas dos negros nas senzalas e por liberdade. Do início ao fim, mais de uma hora de celebração, a presença marcante dos sons das caixas de percussão, acompanhando cada ritual.

Dois momentos especiais são a oferenda e o banho de cheiro. No primeiro, representantes de comunidades tradicionais, religiões de matrizes africanas, negros, sejam jovens ou idosos, entram no anfiteatro e colocam em uma mesa oval, central, farta seleção de frutas. Em seguida é distribuída às pessoas presentes. O ritual representa o cultivo da terra fértil, a saúde, a partilha.

Após a ceia, vem a purificação do espírito com o esperado banho de cheiro, feito a partir de ervas, flores, incensos, perfumes. Com baldes cheios do banho e um ramo de erva na mão, os colaboradores da Missa passam aspergindo o galho de erva por todo o ambiente, lavando as impurezas e deixando nas pessoas e no ambiente um aroma gostoso no ar.

Após a Missa dos Quilombos, a programação profana continua com apresentações dos grupos de Marabaixo e Batuque, numa festiva comemoração noite adentro.

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